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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 8: Nem Tudo de Acordo com o Plano

Olá pessoal! :D
Estou mais ou menos de volta. Vão começar a ouvir mais de mim pois eu agora tenho um pouco mais de tempo livre ^^. Como prometido, aqui está mais um capítulo da minha história em que eu a vou acabar nos próximos tempos!! :D
Para aqueles que não têem seguido a história ou já não se lembram muito bem, podem encontrar os outros capítulos na parte Histórias -> Histórias 2013 -> Uma Flecha Que Voltou.
Enjoy ;)

Capítulo 8: Nem tudo de acordo com o plano
                Os vultos voltaram a aparecer e a cena retomou. Proteu ainda cravava a faca no pescoço de Bela, quando de repente, teve uma ideia. Já que o trabalho estaria praticamente feito, lembrou-se de se divertir um pouco antes de o completar.
                Fez aparecer do nada, uma corda na sua mão livre. Enrolou-a em torno dos pulsos dela, que teria previamente agarrado. Sendo um semideus, força era coisa que não lhe faltava, por isso, não lhe custava nada agarrar-lhe os pulsos com uma mão e a faca ao pescoço com a outra. Atou-a a um dos pilares de madeira que formava o alpendre. Sabendo que o marido dela estava petrificado com a cena toda, aproveitou o descuido para arrumar a faca e atar tudo em condições, de maneira a não se desfazer e haver qualquer acidente. Com isso feito, agarrou num bom bocado de fita-cola e tapou a boca da mulher. Assim, evitaria quaisquer gritos desnecessários, cujos, ou dariam em distracções ou nos vizinhos chamar a policia. A isso, Ftono não iria achar muita piada.
                Com isso tudo pronto, estava na hora de se divertir um pouco. Deu meia volta e virou-se para Jason, o pai de Clare, mas este tinha na sua mão uma pistola de mão cujo apontava directamente para o coração de Proteu.
                - Parece que agora quem manda sou eu, seu ladrão de meia tigela.- Disse Jason. Enquanto Proteu pensara que ele estava como uma estátua, Jason retirara uma pistola de mão que se encontrava no tornozelo. Sendo um agente altamente qualificado da Interpol, tinha licença para andar armado enquanto estava fora de patrulha e no momento que chegara a casa, tinha acabado de chegar de uma reunião com as autoridades locais acerca de um caso muito complicado que andavam a desvendar. Mais um dos que querem fazer dinheiro rápido à custa da droga. Ele apenas dizia à sua família que era um empresário, até aos seus próprios filhos. Apenas a sua mulher sabia da verdade pois muitos anos antes, estaria envolvida no meio de uma confusão, cujo deu em se conhecerem.
               Agora que o jogo estaria invertido, Proteu era um alvo fácil, pelo que encontrava-se feito parvo a olhar para Jason, enquanto Bela estava atrás ainda atada e completamente aterrorizada. Sem hesitar, Jason dispara contra Proteu mas o inesperado acontece. A bala perfura Proteu mas apenas pára quando atinge o peito esquerdo de Bela. Jason vê a ferida do clone curar-se de imediato e a sua cara de insatisfação.
           - Estragaste-me a diversão. Estava a pensar ainda em brincar um pouco mas, uma vez que já a mataste por mim, olha, poupaste-me uma trabalheira! – E com isso Proteu ficou envolvido uma luz azul, cada vez mais clara e ofuscante até que desapareceu por completo na luz e de repente a luz também desaparecera, deixando um Jason horrorizado e uma Bela caída.
               Voltou a ficar tudo cromado.
               - Desgraçado! – Gritei. – Como é que é possível?
              Mas a única reacção que obtive foi desprezo. Claro, o “senhor importante”, assassino, a responder de volta?
                Não.. Não podia ter morrido. Uma lágrima começou a formar-se nos meus olhos. Ela era uma pessoa.. boa, conseguira perceber só daquela imagem que tinha visto. Os seus olhos cheios de lágrimas por não saber da sua filha, no dia em que fui lá a casa. Era algo tão raro, nos dias que decorriam, uma mãe verdadeiramente triste pela sua filha. Não queria acreditar que teria morrido...
- Ftono, seu estupor! Como foste capaz?
         Ira começou a formar-se dentro de mim, como há muito não sentira. Via tudo vermelho, estava pronto para matar, ok, talvez  não matar, uma vez que não era possível sem qualquer arma especial ou monstro, mas provocar-lhe dores, tantas que ele vai desejar poder morrer! Melhor ainda! Fazer pior que Prometeus, que teve o seu fígado comido todos os dias por uma águia e renovasse todos os dias para o ciclo continuar, só por ter roubado o fogo a Zeus quando ele o retirou dos humanos, bem, ele ja tinha tentado mata-lo ao envenenar a comida... Mas sim... Isso sim. Um castigo merecedor pelos seus actos.
Tentei levantar-me, de modo a continuar a proteger Clare, pus-me agachado em frente de Clare, virado para Ftonos e Proteu. Eles ainda estavam na conversa. Ftonos estava a ralhar com Proteus por não ter feito de imediato o que lhe pedira, mas acabou por felicita-lo porque ao menos não haveria investigações posteriores, tendo sido o próprio marido a matar a mulher. Ele era verdadeiramente nojento...
Tinha na minha posse apenas as minhas setas e o arco, mas obviamente nesta situação nada disso me serviria, não iria apaixona-los por Clare! Bem, quer dizer, até nem era má ideia... ao menos não a matariam...
Pronto, já tinha um plano. Por mais pequeno que fosse, era um plano. Virei o meu antebraço pronto para retirar uma seta, posicionei o dedo indicador esquerdo na ponta da seta e passou pela tatuagem. Esta começou a arder no sitio da seta. A pele começou a fazer um alto e lentamente uma seta começou a surgir como se vinda de dentro da pele. Agarrei no meu arco, que normalmente carrego as costas quando estou no relmo dos deuses, e apontei para Ftono. Estava mesmo prestes a disparar quando de repente a porta cai no chão e um homem de tamanho grande, barbudo e furioso aparece na entrada. A seta, que com o susto foi disparada, foi contra o tecto, do tecto para o chão num tal ângulo que saltou porta fora e acertou num dos cães infernais de Hades que estava de passagem. Bonito!
- Ora estás aqui, meu ladrão! - disse o homem.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 7: Encontros e Desencontros

Boa noite! Aqui está o capítulo 7!!!
Espero que gostem!!!
Só tenho uma coisa a adicionar quanto ao capítulo 6 que me esqueci completamente. O Acheron faz parte da colecção "Predadores da Noite" escrito pela Sherrilyn Kenyon, por isso tiveram uma pequena introdução ;).

Capítulo 7: Encontros e Desencontros
Eu não conseguia acreditar no que via. Uma fotocópia idêntica a mim estava mesmo perante a minha vista, apontando-me o punhal de Hefestos. Ao seu lado estava Ftono. Que combinação perfeita… Ftono era o deus do ciúme. Media um metro e noventa, cabelo verde, curto; robes pretos. Dava para perceber de onde originou a expressão “ os olhos verdes de inveja”, os olhos de Ftono eram um verde alface hipnotizantes…
- Ora, ora, o príncipe veio resgatar a princesa. Acho que ainda não vai ser desta que ficarão juntos. O teu sofrimento ainda agora começou… - disse, gozando com a situação.
Essa foi a última gota de água. Pousei Clare no chão devagarinho e com cuidado, de modo a que não piorasse qualquer problema que ela pudesse ter e de modo a não magoa-la ainda mais. Avancei para ele, cuidadosamente.
Ftono apenas se desviou para o lado e permitiu Proteu avançar. Por esta altura, ele já tinha voltado à sua forma original. Um homem já com alguma idade e com robes azul-marinho claro. Nas suas mãos ele tinha um prato fundo azul profundo com uma espiral em verde seco, com uma espécie de líquido cromado.
- Se fosse a ti, não faria nada de cabeça quente, Eros.- Disse Ftono, sorrindo maliciosamente.
Proteu pousou o espelho de água no chão entre mim e o Ftono, de modo a que ambos conseguíssemos ver o que se passava dentro dele.
Figuras começaram a formar-se. Um clone meu materializou-se no fim de uns segundos. À sua frente encontrava-se uma mulher de cabelo louro. O meu coração temeu por momentos que fosse Clare, mas à medida que continuou a ficar mais nítido, eu apercebi-me que não era, alias, até porque ela estava atrás de mim, não faria qualquer sentido estar ali.
Segundos mais tarde, a nebula que não deixava ver desapareceu e restou um clone meu, a mãe de Clare e uma entrada que eu reconheci de imediato como sendo a entrada da casa da senhora. Era uma entrada de sonho. Um alpendre rústico em madeira, com um tom alaranjado, iluminado por um pequeno candeeiro chinês na entrada, com roseiras em volta da vedação para as pessoas não caírem do alpendre. Pelo jardim da frente, o caminho até ao alpendre era composto por pedras de cimento em cima da relva, acompanhado por pequenos candeeiros solares.
- Pensavas que já me tinhas ganho. Esqueceste-te do resto. Ahhhh, a fraqueza das emoções! – Ftono dirigiu-se a um Eros petrificado, ou seja, eu.
Estava completamente em estado de choque! Como teria sido possível eles atacarem-na? A luta era entre mim e ele, somente os dois. Mais ninguém. Era um golpe baixo ter usado a Clare. Agora este era baixo demais!
“O que estás aqui a fazer de novo? Já tens notícias da minha filha” Perguntava Bela, com esperança nos seus olhos.
“ Sim, e ela está desejosa para a ver.”
Não! Gritava o meu interior, eu só queria correr para ela e avisa-la que era um impostor mas não podia. Nunca chegaria a tempo… viajar sozinho era fácil, agora com companhia era o dobro do esforço, ou seja, demorava o dobro do tempo. E não sei se Clare alguma vez suportaria a viagem ferida como estava… Ela aguentava-se por um fio…
O clone aproximou-se de Bela, quando de repente se ouve uma voz vinda de fora do espaço visível do espelho.
“ Pára!” Gritava a voz, pertencente a um homem.
O clone agarrou Bela no antebraço direito, deu-lhe meia volta, e encostou-lhe ao pescoço a lâmina bem afiada de uma faca de combate, com desenhos tribais esculpidos no cabo. Raiva invadiu-me a alma ao mesmo tempo que os olhos de Bela ficavam negros de medo. Todo o seu corpo tremia, o que piorava onde a faca estava, pois esta ia lentamente perfurando a pele, ao de leve, mas o suficiente para derramar um fio de sangue.
“ Mais um passo, e ela morre.” Disse o clone para um homem que acabara de entrar na cena. Ele tinha cabelo curto castanho, cor de chocolate, pele morena e olhos cor de avelã. Medindo um metro e oitenta, facilmente fazia frente ao clone de Eros, mas ao ver o sangue a escorrer, decidiu manter-se no lugar. Por agora.
Naquilo, tudo voltou a ficar cromado.
- Não! – Eu gritei, fazendo com que Clare desse um ligeiro pulo e chamasse por mim baixinho. Vi-me obrigado a recuar um pouco para junto de Clare, mantendo sempre atento a qualquer movimento que Ftono pode-se fazer, aproveitando esta fragilidade. Mas ele neste momento estava mais interessado em torturar-me, pelo que permitira-me um pouco de espaço. – Tu não os devias ter envolvido nisto! Eles não têm nada haver, muito menos Clare. Isto é só entre mim e ti.
Ftono riu-se. – Mas tu ainda não percebeste uma coisa pois não? Este espelho, cedido pela minha querida amiga Clotho, é o espelho do passado. Quem tu viste ali, é quem está agora entre nós neste preciso momento, Proteu.
O chão caiu-me nesse momento… metaforicamente claro. Eu estava sem quaisquer poderes para conseguir mudar o quer que seja. Automaticamente se apagara qualquer hipótese para a conseguir salvar. Tudo o que me restava era assistir e sofrer…
- Oh espera, parece que as Moiras ainda têm mais alguma coisa para nos mostrar. – Proteu disse. E naquilo, o cromado começou a diluir-se e figuras voltaram a aparecer…


terça-feira, 2 de julho de 2013

Fome - Capítulo 2 - O Novo Aluno

Segunda, o dia mais penoso do mundo.
Com um esforço sobrenatural levanto-me da cama e vou tomar o pequeno-almoço. Na cozinha já lá está minha mãe, um monte de suculentas panquecas e um copo de leite.
- Mmm que bom aspeto! Estou cheia de fome! - Disse enquanto devorava um monte de panquecas.
- E desde quando é que não estas com fome? - Perguntou rindo-se.
Encolhi os ombros e sorri. A fome humana nunca é tão intensa como a Fome de lobo, por assim dizer. A Fome é dolorosa, nunca mortal, mas enlouquecedora. Uma coisa que ninguém conseguiu perceber é porque precisamos de comida humana e de comer algo que bem, que esteja “vivo”. As melhores teorias dizem que, como somos metade animais, temos o instinto de comer o que matamos ou assim... Bem, apesar de todas estas suspeitas de uma coisa temos a certeza: temos de saciar a Fome, porque se não a saciarmos durante algum tempo, enlouquecemos e somos muito capazes de nos transformar em público e comermos a primeira coisa viva que nos aparecer. Mas, ao contrário do que as lendas dizem, não somos afetados pela lua cheia, ou prata, caraças nem sequer somos lobisomens, quer dizer transformamo-nos em lobos mas preferimos o termo metamorfos.
Depois do pequeno-almoço subi até ao meu quarto e vesti uma sweatshirt preta, as primeiras calças de ganga que me apareceram, as minhas all-star pretas e fiz o meu rabo-de-cavalo habitual.
Como ainda tinha tempo até serem horas de sair para ir para a escola, aproveitei para ver um pouco de televisão, mesmo que fossem só dez minutos. Os únicos programas que estavam a dar eram uma seca, por isso, decidi sair mais cedo.
A caminho da escola vi um alce escondido por entre a vegetação que me deu água na boca. É estranho mas nesta cidade é muito comum ver alces a vaguear pelas ruas. Para as pessoas normais são uma praga horrível e perigosa, mas para a minha família uma praga suculenta e deliciosa.
Aliás, os meus pais decidiram mudar-se de uma vila do Alentejo, uma região de Portugal, quando eu tinha mais ou menos seis anos, pois para alimentar uma família como a nossa uma ou duas vacas não davam e, se apanhássemos mais, os agricultores iam suspeitar. Por isso andámos pela Europa até que o meu pai apanhou o rasto de uns metamorfos amigos que estavam de férias na Alemanha e nos sugeriram vir para cá.
Eles também vivem aqui, na outra ponta da cidade, porem eles não se transformam em lobo mas sim numa espécie de humano com asas, dentes e ouvidos de morcego, que não se alimentam da carne mas sim do sangue das presas.
Os filhos dos amigos do meu pai, o Adrian e a Shioban, são os meus melhores amigos e as únicas pessoas em que eu posso confiar verdadeiramente.
Chego e seguidamente e entro na enorme escola de South Anchorage High School.
Não tenho aqui praticamente amigos nenhuns, apenas uma rapariga simpática que por vezes anda comigo, talvez por pena, a Sophie.
A maioria dos humanos seguem o instinto de se afastarem de nós por isso é difícil fazer amigos.
A campainha toca e vou para a aula de Inglês do primeiro tempo. Sento-me numa carteira sozinha e vou tentando prestar atenção á aula. A aula estava a decorrer normalmente quando se ouve um toque na porta.
- Entre! - Gritou a professora.
- Peço desculpa pelo atraso. - Um rapaz bonito de cabelo castanho-escuro espetado, olhos incrivelmente verdes, t-shirt de manga comprida preta, casaco de cabedal, botas de motoqueiro e um ar de bad boy irresistível entrou. - Sou novo aqui. Chamo-me Adam. Adam Hatten.
- Não faz mal. - Suspirou a professora obviamente incomodada pela interrupção. - Mmm... sente-se ali á beira da mmm... Alexandra.
Bonito...
Não me interpretem mal, o rapaz é muito giro mas, quanto mais tempo estiver junto de mim, mais me achará esquisita e terá medo de mim, tal como o resto da escola.
- 'lá! - Disse fazendo um sorriso encantador.
Fiquei surpreendida. A maioria dos humanos seguia o instinto de se afastar de mim, mas lá estava ele descontraído... só se ele fosse um metamorfo.
Funguei duas vezes e pelo cheiro, era um simples humano normal. Esquisito.
- Olá. - Respondi finalmente.

***

           -Então Alex, já viste o novo rapaz? É tão podre de bom! - Disse a Sophie alegremente sorrindo. 
- Sim, senta-se ao meu lado em inglês do primeiro tempo.
- Oh meu deus! E então?
            - Então o quê? - Perguntei confusa.
            - É tão fixe como dizem por ai?
- Sei lá. - Encolhi os ombros.
- Meu deus, se fosse eu a estar ao pé dele... - Disse ela com um olhar sonhador.
Revirei os olhos. A Sophie apaixonava-se demasiado facilmente e depois sofria, e bastante.
Fomos até à cantina buscar a comida e sentámo-nos numa mesa onde estavam umas amigas da Sophie. Sentei-me na cadeira mais distante.
- Já viste o novo rapaz Sophie? - Perguntou uma rapariga baixa, que se não me engano, chama-se Anna.
- Sim, é uma brasa. – Disse. - E sabes quem esta ao pé dele... a Alex!
- A Alex? - Olhou para mim com ar de “pobre coitado” mal disfarçado.
- Sim! Não é maravilhoso?! Ela pode pedir-lhe o número para nós! - Sorriu.
- Seria tão fixe! - Disse outra rapariguinha cujo nome já me esquecera.
Suspirei e revirei os olhos. Ao mesmo tempo o Adam entrou na cantina e fez um sorriso sedutor para umas raparigas que eram o total cliché de meninas populares: loiras, com quilos de maquilhagem em cima, decotes provocadores e shorts que mal tapam o rabo, que usavam mesmo estando um frio de rachar.
Só reparei que estava a olhar fixamente para ele quando a Stacia, uma das raparigas a quem ele sorriu, fez-me um sorriso de desdém e o seu clone mais burro, Avery ficou a olhar para mim como se fosse contagiosa. Mas o que me surpreendeu foi o facto de o Adam me olhar, bem, como se fosse normal, coisa que ninguém desta escola, sem ser a Sophie, fazia.

sábado, 22 de junho de 2013

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 6: Procura-se: não repetir o passado

Olá!
Aqui está o próximo capítulo acabado de sair do forno!
Espero que gostem! =]

Capítulo 6 – Procura-se: não repetir o passado.
Após aquele encontro com a mãe de Clare, evoquei a minha mota e parti sem destino. Não fazia a mínima ideia onde se encontraria Clare. E muito menos a quem recorrer. O tempo escasseava e a última coisa que eu queria era que ela morresse… Não, isso não é uma escolha, muito menos uma hipótese.
 Estacionei à beira de um precipício. Uma lagrima começou a desenvolver-se, sentia-me completamente sozinho, perdido. Estava cansado disto tudo. Logo agora que tinha reencontrado a minha preciosa Psiquê, tinha de aparecer Artemis e saber de tudo. Bolas! Quando é que me iam parar de chatear e deixar-me ser eu, Eros, o deus do amor.
Depois de me ter acalmado, parti para Olimpia. Tinha de começar por algum lugar e ficar na terra dos mortais não ajudaria. Havia muito que questionar e muito pouco tempo. Fui visitar Artemis, podia ser que ainda houvesse alguma hipótese de ela não ter feito nada. Por mais pequena que fosse…
Um homem com dois metros e cinco, cabelo preto como a noite e lábios e garras pretas, claramente Atlante, visto que esses deuses eram os únicos que possuíam a pele azul, saiu disparado do templo de Artemis.
- Olá Acheron, o que tens? - Perguntei-lhe, não era normal ver o chefe dos predadores da noite, um grupo de imortais espalhados por todo o mundo que caçam Daemons (vampiros que sugam as almas das pessoas para poderem viver mais uns anos), assim tão zangado.
- Oh… Olá Eros. Se fosse a ti não ia lá dentro… - Respondeu-me antes de desaparecer sabe-se lá para onde.
Eu, sinceramente, não queria minimamente saber o que tinha acontecido desta vez. Entre os deuses de Olimpia, corria um boato que eles tinham uma relação, estranha, mas uma relação. Muitas apostas era de que havia um caso entre os dois, outros ficavam-se apenas por pensar que as visitas fossem de amizade. A minha opinião era que Artemis tinha muito orgulho na sua reputação e mesmo que houvesse um caso, ela nunca o iria admitir. “Bem, altura de enfrentar a fera!” Pensei para mim mesmo.
Entrei pelo palácio imperial da senhora Artemis. Esta encontrava-se no seu trono, com o seu magnífico cabelo ruivo a brilhar como uma chama incandescente, visivelmente aborrecida.
- Precisas de alguma coisa? – Perguntou Artemis, sorrindo com malicia.
Eu controlei-me para não a insultar, era melhor calar-me e conseguir tirar a informação que precisava, mais tarde trataria da sua saúde.
- Sim, gostava de saber se sabias alguma coisa de raptos…
- Ela foi levada por Proteus, até ao reino de Hades, ou seja, ela está no inferno com alguém que ela pensa ser a tua fotocópia. Vai, põe-te a andar que eu não tenho disposição para mais jogos.
Ok… não estava à espera desta sinceridade repentina vinda de Artemis. Nota para futuros favores: ver se apanho a altura depois do Acheron discutir com ela.
Com isto, zarpei até à entrada do submundo. Paguei a moeda ao velho Caronte para atravessar o rio e ir ter com Hades. Para não variar, Cérbero, filho de Tifão, o destruidor de deuses, estava a dormir de olhos abertos e a encharcar o chão de baba à entrada da gruta que ia dar ao submundo. Que nojo. - Meu acorda! – Gritei-lhe.
O cão gigante de três cabeças levantou-se e espreguiçou-se.
- O que te trás aqui Eros? – Uma das cabeças perguntou-lhe curiosamente. Não estava no plano alguém aparecer lá, daí a sua pequena sesta. Nem tão pouco era normal ver Eros, embora que ele até gosta-se dele.
- Venho visitar Hades, um velho amigo dele lembrou-se de me tirar algo que me pertence. Está descansado que assim que a tiver, eu saiu. Permites-me a visita? – Perguntei-lhe, sabendo que isso ia dar uma carga de trabalhos. Cérbero era conhecido por não deixar sair ninguém de lá dentro.
- E o que ganhos com isso? – Perguntou-me.
Quando Artemis me disse que estava no submundo, preparei um bolo bastante grande de mel, o que Cérbero aceitaria para pagar a passagem. Mostrei-lhe o bolo, automaticamente começou a salivar. Ainda bem que continuava a uma grande distância dele, só para o caso de acidentes. Nunca se sabe, os cães são traiçoeiros e este era uma grande prova disso. E este momento serviu bem para não ficar todo babado.
- Tenho isto para ti mas só te entregarei no regresso. Agora deixa-me passar. – E com isso, ele permitiu-me a passagem, meio chateado porque queriam o doce agora, não logo.
Eu avancei para a gruta. A gruta era sombria, escura e rugosa. A meio, comecei a ouvir vozes, sorri ligeiramente. Era bom saber que Artemis não tinha mentido. Bem, também se tivesse mentido estava tramada. Era guerra na Terra, literalmente. Por mais doce que possa parecer, tenho um grande temperamento.
- O que é que você pretende fazer com ela? – Dizia uma voz grossa, claramente aborrecida por ter invasores no seu reino, afinal de contas quem é que viria esconder uma pessoa que é a reencarnação de uma das poucas pessoas que já cá tinha estado. Só mesmo aqueles com um ligeiro problema na cabeça de certeza.
- Bem, digamos que o passado vai repetir-se. – Uma segunda voz, ligeiramente mais fina, cheia de malícia, respondeu.
Seguiu-se um silêncio e, uns minutos mais tarde, cheguei finalmente ao fim da gruta para encontrar Hades sozinho no seu trono de ossos humanos numa sala enorme que tinha quatro portas, duas davam para os campos Elísios e Tártaro, outras duas deveriam ser para os seus aposentos. Ainda bem que estava sozinho, visto que ele não concordava muito com a ideia.
- Mais um? São os meus anos hoje? Ninguém se lembra de mim a não ser que queiram algo de mim. – Resmungou ao ver-me na entrada da gruta. Ele fazia-me lembrar uma criancinha mimada que não tinha recebido a prenda que queria.
- Sim, procuro Psiquê, Proteus ou uma fotocópia de mim, viste algum desses? - Respondi-lhe. Eu, sinceramente, não tinha nada contra ele, apenas não gostava dele. Por isso quanto mais rapidamente isto estava terminado melhor.
- Ah… sim, estão lá para o fundo algures, eu não sei, nem quero saber. Só quero que deixem de invadir-me a casa! – Hades respondeu-me, suspirando. O melhor é mesmo despachar-me porque isto vai rebentar. Pensando bem, esta disposição de Hades até pode vir a dar jeito …
Corri para a segunda porta do seu lado esquerdo, para a qual ele tinha apontado anteriormente. Com um grande encontrão, consegui abri-la. Do outro lado encontrava-se uma sala comprida, pouco iluminada. E na parede do fundo, parecia que estava uma coisa deitada no meio do chão, toda encaracolada. Era muito difícil de ver porque era numa das partes mais escuras.
Aproximei-me, cuidadosamente. Entrei em estado de choque.
Clare encontrava-se no meio do chão, ensanguentada. A roupa toda vermelha, cheia de sangue derivado dos golpes que não tinham bom aspecto. Estava acorrentada à parede e desmaiada. Como é que tinham coragem de fazer-lhe isto… Eu fui logo socorrera-la. Ela estava um pouco fria, com pouca cor. O seu batimento cardíaco muito fraco. Possivelmente teria poucos minutos de vida.

- Voltamo-nos a encontrar Eros.- Disse uma voz à entrada da porta. Um arrepio percorreu a minha espinha.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Fome - Capítulo 1 - A Caçada

Noite de lua nova, perfeita para caçar.
Com a visibilidade praticamente nula, o alce juvenil apenas se pode orientar através da sua audição e olfacto apurados, mas isso hoje não lhe vai servir de nada. O vento está a meu favor e sou praticamente inaudível.
Comendo a relva verde dos fins de outono, o alce está distraído. É a altura perfeita.
Com um lance rápido, o alce apenas se apercebe de mim quando a minha boca está a centímetros do seu pescoço. Com um golpe rápido mordo-lhe o pescoço e fazendo força separo-lhe a espinha, morrendo quase de imediato, o alce esvaíra-se em sangue.
Enquanto a carne ainda está quente devoro-lhe as coxas traseiras, onde a carne é mais tenra e menos gordurenta, raspando a pele com as patas. Termino a minha enorme refeição a meio, já satisfeita.
Não escondo o cadáver meio comido. Em tempos de escassez teria de o esconder para depois o comer, contudo, aqui, em Anchorage, no Alasca, os alces abundam, sendo mesmo considerados uma praga destrutiva.
Oiço um uivo distante, seguido de outro, e uivo também. São os meus pais e chegou a hora de ir para casa.
Correndo pela bonita floresta perto dos subúrbios, aprecio a sensação maravilhosa do vento no meu pelo preto.
Não demorei mais de cinco minutos até chegar à borda que separa a civilização da floresta, onde já lá está um enorme lobo preto do tamanho de um urso polar à minha espera, também conhecido por Laurence Wolford, banqueiro e meu pai. Pelo sangue no seu focinho, patas e barriga tinha feito uma excelente matança. Um lobo castanho chocolate muito mais pequeno que o meu pai e ligeiramente mais pequeno do que eu, a minha mãe, tinha chegado, e trazia um monte de roupas que estavam escondidas debaixo de uns arbustos, na boca.
Transformámo-nos. Apesar de ser um pouco constrangedor vestirmo-nos à frente dos nossos pais, para mim, já é habitual. Desde que era uma criança de sete anos, que quase nem à cintura do meu enorme pai de dois metros chegava, já andava a caçar coelhos e outros pequenos animais.
Fomos para o SUV do meu pai até à nossa simples mas espaçosa casa.
Depois de um longo, quente e delicioso banho fui-me deitar e aterrei logo.
A Fome está saciada...pelo menos por agora, ela volta sempre.


Espero que gostem!

terça-feira, 4 de junho de 2013

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 5: O Conto

Olá pessoal! Peço desculpa pelo atraso, mas aqui vai o capítulo  do mês passado. Espero que gostem! =]

Capítulo 5: O Conto

Clare agarrara Caleb novamente, acalmando-o. Não estava à espera desta reacção vinda dele. O que será que acontecera para ele estar assim?
Caleb saltou dos braços de Clare, foi a correr para o quarto dela e começou à procura de roupas. Vasculhou armários e gavetas e escolheu meia dúzia de peças que pensara serem necessárias para os próximos dias. Clare, aflita, seguiu-o.
-C…Caleb, o que estás a fazer?- Perguntou Clare à entrada do quarto. Caleb tinha-o virado do avesso, mas o mais engraçado era que sabia onde estava tudo. Não entendia o que se passava. Porque raio estaria ele em tamanha aflição? Parecia que o mundo ia acabar ou então ele fizera alguma coisa e, se calhar, agora ela tinha de fugir do país por o ter ajudado… Bonito.
- Não posso explicar-te, primeiro, as malas, depois conversamos.- Foi a única resposta que Clare obteve de Caleb. Isto irritou-a profundamente. Dirigiu-se a ele enquanto se encontrava de costas, e meteu a sua mão bem pesada, de tantos treinos de Karaté, no ombro de Caleb, obrigando-o a virar-se para ela.
- Primeiro, quando se fala com uma pessoa olha-se para ela. Segundo, eu não vou a lado nenhum sem ter primeiro uma explicação lógica. E por ultimo, tu tens de me esclarecer uma certa coisa… - Clare disse-lhe, olhando bem nos olhos de Caleb.
Caleb pousou o casaco de inverno que tinha na mão e sentou-se à borda da cama, respirando fundo. Onde é que ele iria começar?
- Ok, eu digo-te mas é uma longa história e quase de certeza que se te contar tu não acreditas. Tu estás em perigo. Uma certa pessoa descobriu que estás viva e agora vai contar a outra e… pronto agora tens de te esconder. A minha sugestão era a minha casa, mas para isso temos de visitar a minha mãe…
- Pára de inventar. Eu sei quem tu és. Tu és um deus ou que raio e estás a dizer-me que não consegues proteger-nos? A última vez que vi deuses não podem matar deuses! Basta meteres-te à minha frente ou fazeres um acordo qualquer e, pronto, problema resolvido! - Respondeu Clare, profundamente irritada. Já estava farta desta história toda. Farta de desmaiar, farta de tudo. Só por estar apaixonada por ele não queria dizer que iria aturar todas as maluqueiras! Até o raio da tatuagem…
- Ah, e já agora explica-me o que está isto a fazer no meu braço, Eros?! – Disse Clare a Caleb que ainda estava de boca aberta pela revelação repentina da verdade. O que iria ele agora dizer-lhe? Ela sabia de tudo!
- Urgh… ok então. Senta-te. – Caleb, ou melhor, Eros disse-lhe, expirando ruidosamente. – Não sei como, mas tu acertaste. Eu sou Eros, deus do amor, também conhecido por Cúpido. Tu, pelo que parece és a reencarnação da Psiquê, lendário amor do Cúpido… ou melhor… o meu. Não me perguntes como aconteceu porque até lá em cima está tudo confuso. Bem, mas como estava a dizer, uma certa deusa da caça e da noite, também conhecida por Artemis, soube desta notícia na pior das alturas. Quando tu tocaste na mota, o meu pai ligou-me e tive de ir ter com ele a Olímpia ver o que se passava. Cheguei lá e a Artemis andava a ameaçar o meu pai de entrar em guerra com ele. Cometi o erro de me descair e ela descobriu o que se passara contigo e quando ela estava para se ir embora, fui atrás dela. Eu tinha de impedi-la. Ela iria dizer tudo a Ftonos e depois era a história de Psiquê de novo… Eu não te poderia perder novamente… Estou disposto a arriscar tudo por ti, mesmo que isso queira dizer enfrentar cem centauros… que foi o que me esperava fora do palácio do meu pai. Uma armada de centauros prontos a atacar à espera do sinal. Atacaram-me, eu vim parar em cima do teu carro, e a última coisa que soube foi estar naquela cama. Agora a Artemis foi ter com Ftonos e não sei o que fazer.
- Certo… e a tatuagem? – Clare perguntou-lhe, muito duvidosa da história. Algo não fazia sentido…
- A tatuagem ainda não pude investigar, mas sei que temos de fugir. Eu tenho um plano, mas quero que tu não tenhas medo para onde vamos, porque, bem, aquilo não é dos sítios mais agradáveis…
Com aquilo, Clare ajudou Eros a arrumar mais umas peças de roupa em malas que ela tinha em casa. Foi à sua casa de banho buscar o essencial de maquilhagem, produtos faciais e coisas para o duche, ou seja, encheu mais meia mala.
- Hum… Tens a certeza que isso tudo é necessário? – Eros perguntou, olhando um bocado confuso para tudo o que ela estava a arrumar na mala. Realmente, nunca entenderia as mulheres. – Bem, já está tudo?
Clare agarrou em calçado e meteu dentro de um saco. Agora sim, estava pronta.
- Vamos então. – Clare disse-lhe. Entraram dentro do seu Audi, Eros a conduzir. – Posso ao menos saber mais ou menos onde fica?
- Num sítio bastante escuro… - Eros respondeu, olhando para ela. Um arrepio, pouco agradável, percorreu-lhe o corpo. Isto não estava certo…

Finalmente tinha descoberto onde ficava a casa de Clare. Após horas e horas caído no meio do pinhal, finalmente dei com a casa de Clare. Só espero ainda ter chegado a tempo. Depois daquele problema todo com os centauros, a Artemis tinha um grande avanço sobre mim, por isso o melhor era ir ter com Clare, protege-la em casa da minha mãe e depois ir acertar umas contas com Artemis e Ftono…
Toquei à campainha, uns passos muito apressados soaram lá dentro. Uma senhora nos seus trinta e tais apareceu à porta. A sua cara estava muito pálida, cheia de preocupação. Era bastante aparecida com Clare. Um mau pressentimento invadiu-me.
- A senhora está bem? A Clare está em casa? – Balbuciei. Não consegui evitar de perguntar se a senhora estava bem primeiro pois a sua cara deixava qualquer pessoa mal.
- Não… Ela desapareceu. Desde a manhã de ontem que não a vejo e a ultima vez que falei com ela foi ontem à noite.
- Então, mas Clare não voltou hoje da escola?
- Meu filho, hoje é sábado… Não há aulas.
Fiquei surpreendido com esta revelação. Podia jurar que só tinha ficado alguns minutos fora de combate… Oh não… isto está pior que eu imaginava.
- Minha senhora, não se preocupe. Havemos de encontrar a sua filha, nem que vá aos fundos do inferno…

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma Flecha Que Voltou- Capítulo 4: Caído do Céu

Boa noite, está aí o capítulo 4!! Peço desculpa por chegar tarde este mês... mas isto dos correios está complicado! Haha
Espero que gostem! = ]

Capítulo 4: Caído do Céu
                O som de uma porta a bater acordou Clare. Ela ainda se encontrava no chão, meio atordoada. Clare sentou-se, estava com uma dor de cabeça infernal. Sentia tudo a andar à volta. Ela tentou lembrar-se do que acontecera para estar caída na casa de banho, mas tudo o que se lembrara era o sonho, mais uma vez, imagens de Psiquê.
                Levantou-se do chão e tentou deitar-se na cama. Àquela hora de certeza que era a mãe que tinha acabado de chegar do cabeleireiro, onde costumava ir praticamente todos os dias. Se não fosse ao cabeleireiro era ao spa. De qualquer forma, a senhora Bela não a poderia ver nesse estado, caída no chão da casa de banho se não resultaria em perguntas sem fim após uma ida às urgências. A melhor maneira que Clare tinha de disfarçar era deitar-se na cama e fingir que estava a dormir.
Após uns minutos, ouviram-se uns passos e um bater à porta, depois, os passos afastaram-se. Entretanto, Clare adormecera novamente mas desta vez apenas a escuridão invadiu os seus sonhos. Quando acordou, viu um papel branco caído no chão ao pé da sua porta. Ela apanhou-o e por dentro dizia: “ Querida, o seu pai voltou e nós vamos sair, vamos jantar juntos. Beijinhos” Clare voltou a dobrar o papel e colocou-o na secretária do seu quarto, ao lado do computador. Ela admirava-se como era possível esta relação. Eles passavam a maior parte do tempo longe um do outro, mas, mal se viam, era como se não houvesse mais nada neste mundo. Ela não conseguia perceber, era confuso demais.
- Bem, parece que vou ter arranjar que fazer… - disse Clare para si própria. Naquilo o seu telemóvel vibrou pela enésima vez, deveriam ser as suas amigas a perguntar-lhe onde estaria ela, pois não a viam desde o intervalo da manhã. Com um grande esforço, Clare esticou o braço e agarrou no seu iPhone cor-de-rosa. Tinha recebido trinta mensagens e dez chamadas. Eram todas a perguntar onde ela estava. Algumas até já com ameaças de ir à polícia reportar um desaparecimento. “Não te preocupes, eu só estava meio cansada por isso fui descansar. Vamos jantar nalgum lugar?” Foi o que Clare respondeu para todas as mensagens. Enquanto esperava as respostas, foi arranjar-se. O seu cabelo estava péssimo de estar deitada e aquelas roupas já não aguentariam o frio. Embora durante o dia já estivesse quentinho, as noites continuavam frescas. Clare foi ao seu armário, que mais parecia uma outra divisão da casa, e retirou umas calças azuis escuras e um top, um pouco mais quente que o que tinha vestido. Naquilo, Kelly mandou-lhe uma resposta “’Bora lá! Encontramo-nos todas no sítio do costume.” Até que uma saída com as amigas lhe iria fazer bem. Fora um dia muito cansativo e, agora que já estava melhor, parecia-lhe bem. Clare só não gostava muito do caminho para o pub, mas as “Jacket Potatoes” valem a pena.
Clare entrou no seu Audi e seguiu caminho para o pub. Estava prestes a entrar na parte mais abrigada da floresta quando decidiu ligar o rádio a altos berros, sempre a distraía mais e o caminho não parecia tão longo. De repente, o carro estremeceu todo, como se Clare tivesse atropelado um animal. Com uma travagem a fundo, Clare parou o carro para ver o que se passara. A cerca de trezentos metros de distância, encontrava-se um brilho no meio do chão. Clare não sabia o que fazer. Para todos os efeitos, aquilo poderia ser um extraterrestre ou algo que a poderia matar, só que alguma coisa a atraiu à luz. Era inexplicável. Sentia-se como se tivesse de ir ver o que acontecera lá atrás. Clare ganhou coragem e foi ver o que se passava. Entrou no seu carro e fez marcha atrás até chegar à luz. À medida que se aproximava, a figura de uma pessoa ia aparecendo no meio da luz. Uma pessoa estava a brilhar, mas a cada minuto que passava, brilhava menos.
- Que estranho... – Clare disse para si mesma. Mas, quanto mais se aproximava, mais o seu coração ficava apertado, pois a figura no chão era a de Caleb. Clare assim que se apercebeu entrou em pânico. Estaria Caleb vivo ou morto? Donde teria ele vindo? E porque raio estava a brilhar?
Ela saltou para fora do carro e foi ter com ele. Estava inconsciente, isso ainda a deixou mais em pânico. Ela não sabia o que fazer, ir ao hospital seria um bocado estranho pois ainda apareceriam os serviços secretos e levavam-no para um laboratório para lhe fazerem experiências em vez de o curar. Isso não! O melhor seria leva-lo para casa, assim quando ele acordasse, podiam resolver o assunto. Mas, logo de seguida, Clare lembrou-se que ele caiu, poderia ter ossos partidos… Mas, com uma rápida análise, não lhe parecia que estivesse nada partido, nem tinha uma gota de sangue derramado. Ela tinha de confiar mais em si, afinal de contas, ela mais depressa caminhava para enfermeira que para mulher de negócios, graças ao seu passatempo. Neste caso, o melhor seria leva-lo para casa.
Com um grande esforço, Clare agarrou num braço de Caleb e cuidadosamente ergueu o seu corpo. Colocou-o no banco do pendura e rezou para que não houvesse polícia pelas ruas. Cinco minutos mais tarde, Clare chegou a casa, que ainda se encontrava desabitada. Retirou Caleb do banco do carro e levou-o lá para dentro. Colocou-o no quarto dos hóspedes. Por esta altura, Caleb já deixara de brilhar por completo, mostrando então o verdadeiro estado em que se encontrava. Um arranhão aqui, outro ali. Nada de muito especial. Apenas as suas roupas estavam rasgadas e a sua cara um pouco suja. Fora isso, não estava mal. Clare foi assaltar o armário do seu pai, de onde retirou uma camisola “velha”, não tinha nada de velho, só estava já fora de moda. Também tirou umas calças de ganga que, sinceramente, Clare nem sabia da sua existência. Deslocando-se para o quarto onde Caleb estava, deixou tudo num monte, arrumadinho no fundo da cama. Caleb ainda se encontrava inconsciente e assim parecia querer ficar nos próximos tempos, por isso Clare decidiu ligar para Kelly e avisa-la que não podia ir ter com elas hoje pois acontecera um imprevisto. Com uma grande tristeza, Kelly aceitou a justificação e desligou o telemóvel. Ela até era das poucas verdadeiras amigas de Clare, ao menos essa não estava com ela só por ser rica ou por ser a mais popular. Clare decidiu ficar no quarto de Caleb até ele acordar, seria o melhor.
Caleb, uma hora mais tarde, finalmente deu sinal de vida. Clare já suspeitara que estivesse para acordar pois estava a falar no seu dormir e a ficar bastante irrequieto.
Caleb abriu os olhos lentamente, meio atordoado. De repente, como se tivesse lembrado algo, abraçou Clare ferozmente.
-Ainda bem que estás bem…- Era a única coisa que ele dizia vezes e vezes sem conta.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 3: Psiquê

Olá! Trago-vos mais um capítulo. Espero que gostem! :D Ah, e boa Páscoa =)


Capítulo 3: Psiquê
                 Clare não acreditara no que acabara de ver. Era tão surreal, como se fosse tirado de uma história de fantasia. E o pior: ela sabia no fundo que era tão verdade quanto a sua existência. Ela não conseguira deixar de pensar no nome Psiquê. De onde viria? Depois, aquela sensação de vazio. Mexia profundamente com ela. Como era possível que uma pessoa se sentisse tão vazia e ainda assim sobreviver. Algo lhe dizia que a história não teria um final feliz. Clare ainda estava algo confusa. Passara por tantas emoções, sentimentos e memórias em tão poucos segundos…
                Clare sentou-se na borda do passeio, pousou os livros e tentou acalmar a terrível dor de cabeça que lhe aparecera por ter entrado demasiada informação de uma só vez.
Quando Clare ficou melhor, levantou-se e dirigiu-se ao seu carro. Tinha de ir para casa. Voltar para as aulas já não era opção, a campainha já tinha soado há bastante tempo e aquela era a sua última aula; procurar Caleb… esquece, já lhe causara problemas suficientes. Havia a questão dos livros mas isso resolver-se-ia quando se voltassem a encontrar. Por agora, algo mais urgente estava na mente dela. Clare simplesmente não conseguia tirar da cabeça quem seria essa tal rapariga e que ligação havia com o nome Psiquê que lhe ocorrera no fim.
Quando chegou a casa, Clare subiu para o seu quarto e abriu o seu portátil topo de gama cor-de-rosa.
- Ora bem, vamos lá ver então que segredo será esse. –Disse enquanto estalava as mãos. Após isso colocou no Google. Alma, mente, ego eram algumas definições que encontrou, mas nada era relevante para o caso. Até que, finalmente se cruzou com a rapariga da história. Psiquê: a paixão de Eros.
Ela nesta parte ia caindo para o lado… Eros era a fotocópia de Caleb. Mas que raio… voltando ao que acontecera hoje, ele realmente ia para dizer que se chamava algo começado por “E” e depois alterou para Caleb, “C”. C de cupido… será que isso é mesmo assim? Não, ela estaria a imaginar. Era impossível. Os deuses gregos não andariam assim, isto é, se existissem sequer. Não, ele era o Caleb e apenas o Caleb.
Clare sentiu um arrepio forte. O seu braço esquerdo começara a arder mesmo muito. Ela foi ver o que se passava com o braço e encontrou um grande sinal vermelho, o braço estava a ficar muito vermelho e quente. Em questão de minutos, o vermelho começou a ganhar a forma de uma chama e de uma seta, tal como a tatuagem de Caleb. Clare assustou-se e foi a correr para a casa de banho tentar tirar aquilo mas apenas piorava a situação. Uma dor de cabeça terrível invadiu-a e ela desmaiou, caindo no meio do chão da casa-de-banho.
Novas imagens invadiram-lhe a cabeça. Ela viu Psiquê e Eros a conversar à noite, viu a chegada dela a Olimpia, depois sentiu um grande sentimento de inveja por parte de um deus da família de Eros, viu Psiquê a ser raptada, torturada e levada para longe até que o impensável acontecera… Psiquê foi morta com um taco de espinhos venenosos pelo que parecia ser a bruxa do oeste do feiticeiro de Oz, mas a única diferença era que a pele era acinzentada e não verde como na história. Eros procurara a sua alma gémea por todo o lado mas não a encontrava. Durante centenas de anos, nunca se sentira assim por ninguém. Decerto que Psiquê se encontrava nos campos Elísios. Depois, tudo se apagou e Clare ficou desmaiada, a tatuagem ainda a formar-se.
                - Estou? – Respondi, atendendo o telemóvel. Aquele número não me era estranho. Ainda me encontrava à entrada da escola a observar, de longe, a fotocópia de Psiquê ao pé da minha mota.
- Olá Eros era mesmo contigo que precisava falar. Sabes, tenho aqui um problema filho. – Respondeu uma voz grossa, masculina. Bolas, o que é que este quer agora? Primeiro a minha mãe a chatear-me, agora o meu pai, que só quer saber de mim quando estão a ameaçar a sua querida cidade Thebes. – Sabes, eu queria a tua ajuda porque andam a tentar invadir a minha casa. A tua “tia” Artemis quer-me chatear a cabeça, então anda a reunir uns seres quaisquer, acho que também inclui centauros. Isso é o que me está a preocupar mais… então estava à espera que tu me pudesses ajudar. Anda lá filhote, só mais uma vez.
Eu detestava quando ele utilizava o termo “filhote”. Era só para me adoçar a boca mas não, desta vez não. Eu disse que estava de folga! Mas centauros? Será que a Artemis teve mesmo a coragem de ir pedi-los a Apolo? Expirando fundo disse a Ares que sim que iria ver o que se passava. Mas deixava-me o coração apertado ter de deixar Clare fora da minha vista por um minuto que seja… o que é que será que aconteceu para de repente me sentir assim por ela? Aos séculos que não me sentia assim por ninguém… desde… bem, desde Psiquê. Desde que ela foi morta pelos capangas do Ftono. Raio do deus da inveja, não pode ver ninguém feliz… se algum dia tenho o feliz prazer de me cruzar com ele… ai ele que fuja, para bem longe!
Escondi me atrás de uns arbustos que haviam perto da escola e teleportei-me para o templo do meu pai em Olimpia para encontrar uma voz feminina aos berros.
Artemis estava a discutir com Ares porque este lhe tinha estragado os planos de ocupação da Coreia do Sul sobre a do Norte através de leis políticas. Mas não, Ares tinha de ajudar os nortenhos a testar bombas nucleares e protegerem-se. Por isso iria aprender uma excelente lição!
- Artemis, o que é que se passa? – Perguntei-lhe, entrando pelo templo a dentro. Os deuses de Olimpia não se podem matar uns aos outros, isso estragaria a sua perfeição é claro, mas amaldiçoar ou causar danos em “certas” cidades já era outra história.
- Ah nada, estava apenas a ter uma conversa com o teu paizinho. – Disse Artemis, continuava a olhar para Ares. O seu cabelo estava mais vermelho que alguma vez vi. Bolas, estava mesmo zangada… Naquilo, Artemis começou a olhar profundamente para o meu braço.
- Eros, o que andaste a fazer? – Artemis disse curiosamente, aproximando-se lentamente de mim, não desviando o seu olhar do meu. Ares, que assistia à cena toda, deslocou-se para a porta de modo a tentar encerrar o templo para ninguém entrar.
- Eu? Nada porquê? – Respondi-lhe de coração aos pulos. Não precisava de olhar para o braço para saber o que Artemis estava a ver. Eu ainda sentia o ardor da tatuagem no braço. Tinha-me esquecido completamente! Estou feito ao bife…
- Será que estou a ver bem? Isso está a brilhar tal como antes de Ftono. Parece-me que estás apaixonado Eros! Que informação mais valiosa… - Artemis disse pensativa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 2: Um Dia Inesperado

Boa noite, peço imensa desculpa só puder publicar hoje a história, para o mês que vem já vou puder publicar mais cedo espero eu. Espero que gostem!


Capítulo 2: Um Dia Inesperado
                Assim que aquela rapariga me deixou à porta da sala, eu suspirei. Era o novato outra vez. Mais uma escola, mais uma apresentação. “Um novo início” dizem alguns, mas o que é certo, após muitos “novos inícios”, qualquer pessoa se farta.
                Bati à porta educadamente e uma voz feminina, já com alguma idade, mandou-me entrar. Não estaria muito atrasado pelo que os meus novos colegas ainda estavam descontraidamente a tirar as coisas das suas respectivas malas, de modo a começar um novo dia. A professora chamou a atenção de todos. De seguida, apresentou-me e mandou-me sentar mesmo onde eu queria sentar. Duas filas atrás, 4 cadeiras para a esquerda, mesmo encostado à parede. Perfeito!
                A aula deu início e logo de imediato o meu cérebro entrou em modo automático. Já sabia a matéria toda de trás para a frente e assim dava-me tempo para pensar. Amanhã começava a trabalhar. Hoje ainda não. O encontro de manhã deixou-me completamente confuso. O que estaria Psique a fazer aqui? Ela tinha morrido. Como era possível ainda estar viva? Após tantos anos, o que estaria ela a fazer aqui? Teria de ir resolver esse assunto o mais urgente possível.
                Naquilo o telemóvel começou a vibrar. Tinha recebido uma mensagem da mãe. “Hoje vou jantar com o John, depois passo por tua casa.” Bonito, para além de quase ter tido um acidente ao caminho da escola, encontrado a fotocópia da Psique, ter chocado com ela, ser o primeiro dia de aulas, ainda tinha de levar com a mãe. Boa… Estava mesmo a ser daqueles dias… Continuei a ouvir a professora a falar.
                Quando a aula terminou, decidi trabalhar. Sempre me distraía de tudo. Nota para mais tarde: falar com os Fados. Vamos lá ver se consigo tirar delas umas férias, mas só depois de terminar este caso. Agora somos só nós, Andrea.
                Andrea saiu da sala e encontrou-se com as amigas. O mais provável era isto ser rotineiro, por isso vai para a coluna da rotina. De repente, um arrepio percorreu-me o corpo. Isso só podia significar que alguém estaria ao pé da minha mota. Nada de preocupante. Isso acontecia tanta vez pois a mota era parte dele… mas desta vez era forte. Estranho.
Durante o resto do intervalo, mantive-me a espia-la. A lista já estava a ficar composta, só a pele de galinha não acabou e nos últimos minutos tinham piorado os arrepios. Estava a dirigir-me para a sala onde iria ter matemática, quando a minha tatuagem começou a ferver. Não estava quente, estava a ferver. Arregacei a manga e as chamas estavam um pouco brilhantes, como se estivessem a ganhar vida…
Mas que raio?

Uma hora antes.
                Clare estava em estado de choque. Encontrava-se na aula de geografia completamente distraída. Só pensava em Caleb. Era tão difícil tirá-lo da cabeça…
                Ainda para ajudar, quando colidiram, trocaram de livros. Ele ficou com o livro de geografia dela e vice-versa. Dentro do livro dele eram só desenhos. Alguns abstractos, outros de deuses gregos. Eram autênticas estátuas em desenho, ele tinha mesmo jeito para isso!
                A primeira coisa que faria era devolver-lhe o seu livro e ter outra hipótese em falar com ele também. Clare voltou a tentar prestar atenção à aula mas a sua mente começou a divagar.
                A campainha soou dizendo que era hora de intervalo, mas, graças à professora Greedy, a turma teve de ficar até acabar de fazer a questão, ou seja mais 5 minutos. Clare já se estava a passar. Este atraso custara-lhe a troca!
                Finalmente, ao fim de 7 minutos, saíram. Clare acelerou o passo dirigindo-se em direcção à mota de Caleb. Ela estava certa que Caleb voltaria lá. Pelo caminho, infelizmente, cruzou-se com Thomas Goodmans, também conhecido por T.G. “Mais alguma coisa?” pensou ela.
                - Olá para ti também. – T.G. disse-lhe. Mas com tanta pressa que Clare tinha, mal se ouviu o “Olá seu…” qualquer coisa que, por sorte, Tom não ouviu. Ele era uma pessoa de cabeça quente, ao mínimo insulto ficava fulo e o caldo entornava-se.
                Clare não tinha tempo para ouvir as parvoíces e as lamentações seguidas de tentativas de se atirar a ela. Agora tinha uma missão. Avistou a mota… e mais 3 rapazes: um moreno, um rapaz musculado e um ligeiramente mais alto que os outros. Estavam todos a apreciar a mota.
                - Clare, esta mota é tua? – Perguntou o moreno. Ele tinha o penteado “à esfregona”, o que andava bastante na moda. Pessoalmente, Clare detestava-o na maioria dos casos, mas neste nem ficava muito mal. Tinha umas tatuagens à vista no pescoço e nos braços, meio escondidas com a t-shirt. O amigo de olhos azuis lindíssimos deu-lhe uma chapada na cabeça.
- Não sejas idiota, o carro dela é o Audi! – Respondeu o amigo de olhos azuis.
                - Bem nós vamos andando. – Disse o rapaz musculado, com o cabelo preto, espetado, com um ar rebelde. “Nem era muito feio.” Pensou Clare, mas quem ela queria verdadeiramente não estava lá.
                Clare por esta hora desesperava. Ainda não tinha visto Caleb e já só faltavam 3 minutos para entrar. Começou a apreciar a mota. Realmente tinha algo de invulgar. Era mesmo linda e fazia-a lembrar o próprio Caleb só pela aparência. Talvez fosse da tatuagem, parte essa que Clare estava distraidamente a analisar mais pormenorizadamente. Parecia que o símbolo nascera com a mota. Parecia estar inserido na mota. Clare passou as pontas dos dedos pelas chamas que rodeavam a seta no desenho.
                Naquilo, o fogo começou a acender e a brilhar, como se tivesse ganho vida, e uma sensação esquisita invadiu-a. Começou a ver o que parecia ser uma espécie de filme feito de pequenos bocados.  Ela viu uma rapariga muito parecida com ela na ponta de um penhasco, numa espécie de cerimónia. Depois viu esta a ser transportada pelo vento até um lindo prado. Após isso apareceu ela perdida, a procurar pelo mundo inteiro, por algo que não conseguia encontrar. Sentimentos de paixão, mistério, reconhecimento invadiram-na. “Psique.” 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 1: Primeiro Encontro

Um despertador cor-de-rosa choque tocou às 7 da manha. Pelo meio de lençóis lilases, encontrava-se Clare. Também conhecida por “Cobra, Louca, Arrogante, Ruim e Enfadonha” mas, claro, isso só se sabia por trás das costas dela.
- Hurgh, já são 7 horas… - e com isso, Clare mandou uma grande chapada ao despertador que foi disparado ao chão, partindo-se em mil bocados.
De repente, entra um West Highland Terrier branco pela porta, a ladrar, mesmo direitinho à cama.
- Tikky! Sai de cima de mim! Está bem, eu levanto-me.
Bastou Clare dizer isso para a amostra de peluche com caracóis brancos e de coleira vermelha, a que ela chama de cão, saltar da cama e ir disparado pelas escadas a baixo.
Tinha começado mais um dia na vida de Clare.
Clare levantou-se da cama, vestiu a sua roupa favorita: uma minissaia miu miu preta, que deveria ser para criança mas estava prestes a ser usada por uma rapariga de 17 anos; um top com um decote escandaloso do Marks and Spencer e umas botas de salto alto de pele de cobra. Ela tinha de manter o seu estatuto de “miss popular”, como é óbvio. Não podia ir com uma roupa qualquer! Tinha de ser tudo do bom e do melhor, como era a tradição da família. E como tal, Clare dentro de 8 meses estaria a entrar na Universidade de Oxford, não fosse o pai dela um grande empresário de bolsos bem largos.
- Querida! Você já está pronta? O pequeno-almoço já está na mesa. – disse uma voz feminina, mesmo com um sotaque “à tia”, do outro lado da porta do quarto, mas Clare não ouviu. Estava na sua casa de banho privada, enchendo os seus olhos verdes de rimmel, completando o seu quilo de maquilhagem diário.
Quando abriu a porta da casa de banho, esbarrou com uma senhora nos seus 40 anos, cabelos bem louros, encaracolados e curtos. Bela tinha olhos verdes, tal como a sua filha, Clare.
- O que é que estás aqui a fazer mãe? – Inquiriu Clare com a sua voz fina, aguda, mesmo naquele ponto irritante.
- Eu estava a chama-la para ir tomar o pequeno-almoço. A empregada já o pôs na mesa. – Respondeu-lhe a mãe, com a sua voz nasal, igualmente irritante.
Clare acabou de retocar a sua maquilhagem e arranjar os seus enormes cabelos louros e desceu a escadaria de pedra para a sala de jantar, onde cabiam umas dez pessoas sentadas em volta da mesa.
- Mãe, o pai ainda não voltou? – Clare disse quando viu a mesa cheia de torradas acabadinhas de fazer, fruta, mas ninguém para comer essas delícias.
- O seu pai ainda não voltou de Nice – Respondeu-lhe a mãe, sentando-se à frente dela na mesa e preparando-se para comer.
Clare suspirou. Era muito raro ver o pai. Ele andava sempre em viagens e em reuniões e, quando estava lá em casa, era por pouco tempo pois a sua mãe começava a discutir com ele.
Clare terminou o seu pequeno-almoço composto por uma amostra de torrada de pão integral, não se pode descuidar com o seu peso porque afinal de contas o tamanho seis inglês é difícil de se manter, um copo de sumo de maracujá e cenoura, receitado pela dietista privada dela, e por fim uma papaia. Entrou no seu Audi descapotável e foi a caminho da escola.
O seu Audi era como uma segunda casa para ela. Ela agarrava nele e punha-se a conduzir sem destino, ao som da sua música favorita, o que estivesse na posição número um na América ou na França ou Inglaterra. Conduzir era como um calmante para Clare. Era o melhor que tinha na vida! Isto é, quando não está ocupada demais a ser a senhora popular lá da escola.
Rapidamente acabou o seu oásis pois tinha chegado à escola e já tinha o seu grupo de fiéis seguidoras em seu redor. Estariam lá à espera dela perto de meia hora.
- Clare! – Uma delas disse, era a cópia quase exacta dela, apenas tinha cabelo castanho encaracolado e um ar arrogante.
Cumprimentaram Clare e seguiram para entrar no colégio.
O barulho de uma Harley Davidson Rocker C 2008 azul entrou pelo parque a dentro e estacionou a 50 metros de onde se encontrava Clare, que estava espantada a olhar para quem conduziria aquela mota. Naquela escola eram poucas as pessoas que tinham uma mota, muito menos as que tinha uma daquelas. Era uma mota mesmo muito vistosa, com chamas prateadas e pelo meio uma espécie de seta de madeira com ponta de pedra, daquelas utilizadas no desporto de tiro ao arco antigamente.
Que estranho que era! Mais parecia um símbolo do que propriamente uma pintura na mota.
Entretanto, o condutor tirou o capacete. Tinha cabelo ondulado, dourado. As calças estavam meio desgastadas, como a moda manda, mas tinham aspecto de novas e tinha um casaco de cabedal. Clare perguntara-se quem seria esse rapaz…
Clare conhecia todos os rapazes bonitos da escola, cidade e arredores e nunca tinha visto este. Ele devia ter-se mudado recentemente, ou seja, no dia anterior. Mais cedo que isso e já lhe teriam contado.
- Vamos andando? Já tocou. – Inquiriu Rose, uma rapariga loura, de olhos azuis e com um aspecto de burra que nada tem a ver com o cabelo e olhos. Clare distraiu-se com essa pergunta e perdeu o rapaz de vista. Que pena, pensou. Dirigiram-se para dentro do edifício onde iam ter aulas.
- Sabes as últimas? – Perguntou Rose, claramente para picar Clare sem que esta se tenha apercebido de tão distraída que estava. – O T.G. deixou aquela nojenta da Melanie. Tens o caminho aberto.
T.G., o rapaz mais popular da escola, bonito, forte, atlético, querido, romântico, também conhecido por O SEU EX.
- E o que é que eu tenho a ver com isso? – Clare respondeu, claramente desinteressada. Até porque ela já tinha andado para a frente, há uns minutos atrás mais precisamente.
Passaram pelas salas de cada uma, mesmo ao lado umas das outras, apenas a de Clare ficava ao virar o corredor, o que dava jeito: proporcionava a Clare uns minutos de paz e, mais importante - ficava ao lado dos cacifos. Por entre a confusão, Clare foi para o seu corredor, com o seu andar provocador de nervos nas outras raparigas.
Ao virar a esquina, um aroma doce e amargo, suave e forte. Parecia ser a maçã com canela e ao mesmo tempo à brisa do mar num dia de verão, mas que rapidamente acabou porque esbarrou com alguém ao virar da esquina, de tão intoxicada que estava. Por sorte ninguém viu, pois o corredor tava vazio e de donde ela vinha não dava para ver.
Pelo chão espalharam-se livros, cadernos, malas, lápis, canetas, casacos… até eles os dois foram parar ao meio do chão. Clare estava mesmo para dizer para ver por onde andava até que reparou que tinha chocado com o rapaz da mota.
- Peço desculpa – disse o rapaz com uma voz grossa, masculina. Os seus olhos perfuraram a alma de Clare. Uau, ela nunca viu uns olhos assim… eram mesmo magníficos.
- Eu estava a tentar ir para a sala 68 mas perdi-me pelo caminho. – Ele continuou. Ela não sabia porque notava uma certa familiaridade. Já sabia o que era. O seu irmão! Ele era bastante parecido com ele… Clare ao lembrar-se disso sentiu uma enorme melancolia percorrer-lhe. Ela não via o seu irmão desde… desde que foi deserdado por ter fugido com a empregada! Isso acontecera há uns 5 anos e deixara um grande vazio nela porque ele fora um grande apoio para ela. Quase como um pai.
- Hum, essa sala é ao lado da que eu vou ter aulas, eu levo-te lá – Clare respondeu-lhe um pouco engasgada com o nó que se estaria a formar na garganta.
- Ainda nem me apresentei, sou o E… Caleb – disse o rapaz, um pouco agitado. Clare notára uma tatuagem, do mesmo símbolo que a mota tinha, no braço direito de Caleb quando o esticava para apanhar um dos seus livros. Por esta altura, Caleb já só estava com uma camisola com as mangas arregaçadas.
- Clare. – Disse lhe ela, por esta altura já estavam praticamente a chegar a sala.
- Então até já – E com isso, Clare despediu-se dele. Ao atravessar o corredor, a única coisa que conseguia pensar era nos seus olhos verdes, místicos.

sábado, 5 de janeiro de 2013