quarta-feira, 3 de julho de 2013
Top 20 - Chiado Editora
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terça-feira, 2 de julho de 2013
Eddie - Parte 1
Olá pessoal!
Não sei se se lembram do conto da passagem de ano: A Mudança do Ano, que se encontra na secção dos contos. Esse era um pequeno episódio da história que vou publicar agora para as férias grandes, como uma leitura extra!
Publicarei a história, em principio, em 4 partes.
Espero que gostem! =)
Eddie
Parte 1
Corria para
longe. Precisava de uns minutos para me recompor após aquela caçada. 231 Era o
total daquela noite, até agora. Avistei uma gruta onde parei por uns breves
instantes… 232, um novo recorde. Bolas, tinham de ter chegado àquela cidade,
logo agora! Até naquela gruta se encontrava um dos “un-dead”. Eram mesmo feios!
Todos loiros, de olhos azuis, 1m e 90 de altura, todos musculados e andavam
todos armados com uma pistola de mão da pré-história. Tinham bastante pele
arrancada do trabalho que faziam mas o que os denunciava mesmo era serem todos
iguais.
Há seculos
que os caçava. Os chefes eram todos convencidos e arrogantes para os outros mas
por alguma razão tinham um gosto especial por se atirarem a mim…. Literalmente
atirarem-se a mim. Era logo à primeira vez que me viam. Parecem leões a caçar
uma presa. O último saltou com uma catana na mão, aparecida do nada. Bastou-me
baixar e carregar no gatilho da minha M-16… haveria festa mais logo à noite,
pois os seus servos só podem sair a noite.
Aquele devia
ter sido o equivalente a um Deus para os mortais. Os chefes por norma só têm
até 80 servos, aquele já ia nos 232, não era o que esperava quando aceitei o
trabalho desta vez. Eu não me importava de os caçar, é um trabalho que eu amo,
mas já há mais de 100 horas que não dormia, não que necessite, mas o corpo já
estranhava devido ao hábito humano que ganhara.
Naquela gruta
acendi uma fogueira e preparei-me para dormir logo após ter vasculhado o
perímetro, onde não encontrei nenhum perigo. Encostei-me a uma das paredes
rugosas da gruta e refleti no que tinha acontecido naqueles últimos dias, pois
tinham sido bastante agitados.
Começou
comigo a chegar a casa após ter ido para a escola (há que manter aparências
embora tenha um pouco mais que 17 anos). Ainda vinha meia dormente graças a
aula de filosofia que tinha tido no último bloco. Essa aula era a que mais
adorava, podia dormir e tirar vintes na mesma. Para quê ter de dar uma coisa
que eu vivi, ainda me lembro desses bons velhos tempos em que todos iam a
correr quando Platão dava as suas palestras. Isso sim eram aulas dignas de
filosofia! Mas pronto, como ainda não inventaram uma maneira dos humanos
viajarem no tempo, vão ter de levar com estas aulas secantes.
Assim que
cheguei ao meu “lar doce lar”, fui diretamente para o meu quarto para dormitar
um bocado na minha caminha com o edredom cor-de-rosa dos ursos me to you vintage, uma vez que mais
tarde teria uma reunião de caçadores. Dou um passo sonolento dentro do quarto e
deparo-me com um indivíduo em boxers, sentado na minha mesa-de-cabeceira com um
abajur na cabeça. Apontei-lhe logo a minha Benelli Vinci shotgun que tinha escondida
no guarda-roupa mesmo ao lado da minha adorável AK-47 e o meu vestido azul
índigo escuro para baile de finalistas que se tava a aproximar. Como eu adoro
estes novos tempos modernos.
Ele quase que
morreu com um AVC.
- Hei!
Na-a-a-ão me-me-me mates, por favor. Eu só estou aqui porque me mandaram.
Disseram-me para te entregar esta carta.- Balbuciou ele, com a sua voz
ligeiramente grave mas agradável. Retirando o abajur da cabeça, procurou a
carta dentro de um tubo cilíndrico azul com uma correia.
- Toma. Foi o
Sr. Gray que mandou com urgência. Também foi ele que me mandou pôr assim.
Eu não sabia
que pensar daquilo. Pareceu-me duvidoso porque se o Karl quisesse falar comigo
ter-me-ia vindo visitar pessoalmente, e quem no seu perfeito juízo mandaria um
rapaz sentar-se na mesa-de-cabeceira com um abajur na cabeça…
Agarrei na
carta, ela dizia:
“Querida
Hales,
Como tu deves de saber, está para acontecer uma reunião de caçadores e agora, mais que nunca, é preciso andar de olho aberto. Penso que há um chefe aí na tua zona que está a tentar planear um ataque, acho que devias ir tratar desse assunto.
Como tu deves de saber, está para acontecer uma reunião de caçadores e agora, mais que nunca, é preciso andar de olho aberto. Penso que há um chefe aí na tua zona que está a tentar planear um ataque, acho que devias ir tratar desse assunto.
Beijinhos,
Karl
P.S.- Desculpa
não puder ter ido aí pessoalmente falar contigo mas estou muito ocupado com as
preparações. Ah! Mais uma coisa, não te esqueças de agradecer ao Eddie. Dá-lhe
uma coleira nova.”
Assim que li
a última parte da carta, percebi que não estava na companhia de um humano.
- Muito bem,
isto explica muito mas não explica o porquê de estares em cima da minha
mesa-de-cabeceira, com um abajur na cabeça e nesses preparos.- Dirigi-me a
Eddie com firmeza, exigindo uma explicação.
Eddie,
nervosamente, deslizou da mesa e sentou-se no chão ao pé do Peter, o meu
peluche mega gigante que o meu pai me tinha oferecido no meu quingentésimo
aniversário (também é a única vez que ele se lembra de mim), e girando o abajur
em torno do seu dedo indicador esquerdo disse:
- Bem… hum… o
Sr. Gray mandou-me esperar aqui sentado, na minha forma de liobo, para tu não
me matares… eu entretanto fiquei aborrecido e… e… pus-me na minha forma humana,
vestindo apenas boxers porque é o mais fácil de transportar, investiguei aquela
coisa que estava na mesa. Nunca nos meus 3 mil anos de vida vi nada assim! Só
que com o espanto, eu… eu… deixei cair e partiu-se e depois eu tentei juntar as
peças mas não consegui e depois ouvi um barulho, eras tu a chegar, e depois
assustei-me e depois fiquei nervoso e depois… depois agarrei no abajur e meti-o
na cabeça, esperando que não desses por ela.
- E o
candeeiro está…? – Perguntei-lhe, começando a sentir o sangue a ferver.
- Pois… eu
como não sabia o que fazer, meti-o debaixo da cama.
BOA, o meu
dia estava a correr “às mil maravilhas”. O meu candeeiro favorito com um urso
pardo na relva (muito fofinho) que tinha sido feito de propósito para mim
estava todo estilhaçado debaixo da minha cama onde dorme o Phylis. Agora como é
que vou pedir que me devolva o candeeiro? Lá teria de sacrificar mais uma
almofada toda psicadélica ou então a minha Nintendo 64.
- Eu não
acredito… E o Karl ainda quer que te dê uma recompensa…- Suspirei, dirigindo-me
à cama para tentar ver o que iria fazer a seguir. Pousado nela encontrava-se o
livro “Romeu e Julieta”.
- O… que… é…
que… o meu “Romeu e Julieta” está… aqui… a fazer? – Inquiri-lhe, tentando
engolir sapos para não gritar. Era melhor que não lhe gritasse, depois quem
ouvia era eu.
Ele esteve
uns tempos a fitar-me e eu à espera de ouvir o pior…
- Bem, eu
nunca vi um Romeo e Julieta e pensei que fosse para ler… Eu agarrei nele antes
de acontecer o pequenino acidente com o candeeiro… li uma partezita mas não
arranquei nada, está descansada.- Disse ele ficando mais relaxado à medida que
a minha expressão facial ia suavizando.
Após uma
breve meditação no meio dos meus ursos e almofadas fofinhas, virei-me para ele
e disse-lhe: - Tu precisas de te vestir, eu preciso de escrever uma resposta à
carta. Agora o que é que vais vestir?
Levantei-me e
fui procurar roupa que lhe ficasse bem e servisse daquela que tinha lá por
casa. Não teria grandes problemas em encontrar, uma vez que a altura dele era
um metro e setenta… não fugia muito da minha. Pensei numa camisa aos
quadradinhos em tons de azul e verde que me era grande e numas calças de ganga
que comprei quando estava com intenção de pintar a casa. Elas eram-me largas e
de certeza que lhe serviam!
Abri a porta
do armário e arrumei a shotgun. Dei um ligeiro murro na porta ao lado e abri-a.
A minha carabina Stoeger X10 de
madeira, óptima para aqueles trabalhinhos de precisão que só uma sniper pode
fazer, encontrava-se pendurada na porta e do lado de dentro as minhas camisas e
camisolas pouco coloridas. Tirei a que se lhe destinava da minha colecção
pessoal de camisas de trabalho (cor que dominava? Preto e verdes escuros e
muitas outras cores escuras, necessárias para a perfeita camuflagem). De
seguida, retirei da primeira gaveta da comoda as calças que estavam mesmo ao
lado das granadas militares e entreguei-lhe a roupa.
- A porta é
ao fundo do corredor à esquerda, despacha-te - disse-lhe severamente. Só assim
é que ele me obedeceria… Detestava ser assim. Mandona.
Levantando-se
relutantemente, ele agarrou na roupa e foi para a casa de banho. Eu sentei-me
na cadeira da secretária situada do lado esquerdo da cama, encostada à parede e
peguei numa folha de papel em branco.
"Karl,
Não
te preocupes, ele não respirará (ou seja lá o que for que faz) por muito mais
tempo.
Haley"
Só me vinha
isto à cabeça.
Dobrei-a e
meti-a dentro do porta-mensagens do Eddie. Logo de seguida apareceu ele. Até
que não lhe ficava muito mal a roupa. A camisa combinava bem com o seu tom de
pele moreno… sacudi a cabeça e pusemo-nos a caminho da loja de animais para lhe
comprar uma coleira.
- Sabes, o
teu “Romeo e Julieta” é muito mórbido: “Oh! Antro abominável, seio da morte,
que tragaste o mais precioso manjar que a Terra possuía. Eis como eu forço as
tuas maxilas podres a abrirem-se, e contra a tua vontade te faço engolir uma
outra presa”. Como é que pode haver pessoas que gostem disso? Todos os Romeos e
Julietas que li até agora são todos mórbidos. O último estava dividido em 40
livros ou uma coisa parecida, e falava do início da Terra, de um indivíduo
receber uma tabuleta de mandamentos, separou o mar, houve uma praga que matou
muita gente, uma cheia em que um homem fez uma arc…- estava Eddie a dizer, à
medida que passávamos um cemitério, antes de eu o interromper.
- Tu leste a
Bíblia?? Todos os 76 livros?? Não tens mais nada que fazer na vida? Já agora,
como é que acabaste de recitar um verso completo do meu livro?- Disse-lhe
pensando como é que ele tinha conseguido fazer aquilo tudo… nota-se bem que não
batia bem…
- Sim, não,
sim, memória fotográfica- Respondeu-me com a maior descontracção – Sabes,
também só existem perto de 40 livros, não deves ser da mesma religião que eu.-
Continuou ele fazendo-me lembrar a Mad. Ela era do tipo sabichona.
Comecei a
pensar no que ele tinha dito. Aquilo eram tudo coisas que aconteceram no velho
testamento… o que quer dizer que só tinha lido o velho testamento!
- Há quantos
anos leste esse livro?- perguntei-lhe começando a pensar que ele não tinha a
idade que pensava.
- Há volta de
2 mil e poucos anos.
- AH… isso
explica tudo… também nunca ouviste falar de Jesus…
- Hum… não,
nem por isso…- ele disse, confirmando as minhas suspeitas.
- Ah, bem
sabes, apareceu cá na Terra um homem que fazia milagres e então diziam que ele
era o filho de Deus, e então há uma grande nova parte na Bíblia.- Continuei-lhe
a explicar o resto do caminho quem era Jesus e o que tinha acontecido. Ele
foi-me fazendo cada vez mais perguntas.
Eventualmente,
chegámos à loja dos animais. Eu conhecia bem a dona da loja, pois já não era a
primeira vez que lhe pedia para me fazer uma coleira com dimensões gigantes ou
encomendava comidas fora do vulgar para animais.
-Boa tarde,
pode fazer-me uma coleira dourada, o dobro do tamanho do pescoço de um lobo
normal?- O dourado iria condizer muito bem com a cor do pêlo dele. O pêlo
médio, curto dele teria tons de castanho chocolate, tal como o seu cabelo
quando estava na sua forma humana. Também ficava bem com a cor dos seus olhos:
dourados na forma de liobo e cor de mel na forma humana. Era mesmo lindo em
ambas as formas…
- Isso vai
demorar 4 ou 5 dias a ser feita - informou-me a dona, acordando-me do meu
transe…
…
Eia a
coleira… Espero que o Eddie amanha não se esqueça de a ir buscar.
Naquilo ouvi
um barulho vindo do lado de fora da gruta. Agarrei na M-16 e fui até à entrada
da gruta. Não vi nada de perigoso.
Não havia
sangue, nem o cheiro a podre, característico de um “un-dead” que teria lá passado
há pouco tempo. Não, ali não tinha passado nenhum “un-dead”. O ar tinha um
aroma doce, suave, quente… fazia-me lembrar o rasto que o Eddie deixava. Eddie…
Suspirei. O que estaria ele a fazer… como seria tão bom estar com ele em vez de
estar aqui atrás deste chato. Ele era simplesmente lindo. Adorava vê-lo na sua
forma de liobo. O seu pêlo e aura ficava radiante quando ele estava alegre, mas
quando estava triste o seu pêlo perdia a vida, ficava sem brilho, era plano…
detestava vê-lo assim. Ele tinha a característica do seu pêlo mudar consoante o
seu estado de espírito. Tal como o facto de ter de ir para a rua pelo menos uma
vez por dia, senão morria, graças a uma maldição que Apollo lhe lançara.
Coitado, gostava mesmo de puder fazer algo por ele… até não é mau rapaz, só
precisa de ser ensinado, coisa que Karl não se preocupou em fazer desde que
Eddie fugiu de Apollo e Karl o adoptou há cerca de um ano.
Voltei para
dentro da gruta. Uma voz, que conhecia bem demais, disse, rindo-se – Não estava
à espera que parasses já aqui. Destes ter tido uma noite muito cansativa para
teres parado nas redondezas da cidade, no meio de uma caçada.
Agarrei na
M-16 com mais força e apontei-a para trás de mim, ficando arma-à-cara com um
homem magro, cabelo cor do fogo, de olhos verdes com um tom sinistro. No
momento seguinte estavam trinta abutres, vindos do nada, em meu redor. Estava
cercada.
Fome - Capítulo 2 - O Novo Aluno
Segunda, o dia mais penoso do mundo.
Com
um esforço sobrenatural levanto-me da cama e vou tomar o
pequeno-almoço. Na cozinha já lá está
minha mãe, um monte de suculentas panquecas e um copo de
leite.
-
Mmm que bom aspeto! Estou cheia de fome! - Disse enquanto devorava um
monte de panquecas.
- E
desde quando é que não estas com fome? - Perguntou
rindo-se.
Encolhi
os ombros e sorri. A fome humana nunca é tão intensa
como a Fome de lobo, por assim dizer. A Fome é dolorosa, nunca
mortal, mas enlouquecedora. Uma coisa que ninguém conseguiu
perceber é porque precisamos de comida humana e de comer algo
que bem, que esteja “vivo”. As melhores teorias dizem que, como
somos metade animais, temos o instinto de comer o que matamos ou
assim... Bem, apesar de todas estas suspeitas de uma coisa temos a
certeza: temos de saciar a Fome, porque se não a saciarmos
durante algum tempo, enlouquecemos e somos muito capazes de nos
transformar em público e comermos a primeira coisa viva que
nos aparecer. Mas, ao contrário do que as lendas dizem, não
somos afetados pela lua cheia, ou prata, caraças nem sequer
somos lobisomens, quer dizer transformamo-nos em lobos mas preferimos
o termo metamorfos.
Depois
do pequeno-almoço subi até ao meu quarto e vesti uma
sweatshirt preta, as primeiras calças de ganga que me
apareceram, as minhas all-star pretas e fiz o meu rabo-de-cavalo
habitual.
Como
ainda tinha tempo até serem horas de sair para ir para a
escola, aproveitei para ver um pouco de televisão, mesmo que
fossem só dez minutos. Os únicos programas que estavam
a dar eram uma seca, por isso, decidi sair mais cedo.
A
caminho da escola vi um alce escondido por entre a vegetação
que me deu água na boca. É estranho mas nesta cidade é
muito comum ver alces a vaguear pelas ruas. Para as pessoas normais
são uma praga horrível e perigosa, mas para a minha
família uma praga suculenta e deliciosa.
Aliás,
os meus pais decidiram mudar-se de uma vila do Alentejo, uma região
de Portugal, quando eu tinha mais ou menos seis anos, pois para
alimentar uma família como a nossa uma ou duas vacas não
davam e, se apanhássemos mais, os agricultores iam suspeitar.
Por isso andámos pela Europa até que o meu pai apanhou
o rasto de uns metamorfos amigos que estavam de férias na
Alemanha e nos sugeriram vir para cá.
Eles
também vivem aqui, na outra ponta da cidade, porem eles não
se transformam em lobo mas sim numa espécie de humano com
asas, dentes e ouvidos de morcego, que não se alimentam da
carne mas sim do sangue das presas.
Os
filhos dos amigos do meu pai, o Adrian e a Shioban, são os
meus melhores amigos e as únicas pessoas em que eu posso
confiar verdadeiramente.
Chego
e seguidamente e entro na enorme escola de South Anchorage High
School.
Não
tenho aqui praticamente amigos nenhuns, apenas uma rapariga simpática
que por vezes anda comigo, talvez por pena, a Sophie.
A
maioria dos humanos seguem o instinto de se afastarem de nós
por isso é difícil fazer amigos.
A
campainha toca e vou para a aula de Inglês do primeiro tempo.
Sento-me numa carteira sozinha e vou tentando prestar atenção
á aula. A aula estava a decorrer normalmente quando se ouve um
toque na porta.
-
Entre! - Gritou a professora.
-
Peço desculpa pelo atraso. - Um rapaz bonito de cabelo
castanho-escuro espetado, olhos incrivelmente verdes, t-shirt de
manga comprida preta, casaco de cabedal, botas de motoqueiro e um ar
de bad boy irresistível entrou. - Sou novo aqui.
Chamo-me Adam. Adam Hatten.
-
Não faz mal. - Suspirou a professora obviamente incomodada
pela interrupção. - Mmm... sente-se ali á beira
da mmm... Alexandra.
Bonito...
Não
me interpretem mal, o rapaz é muito giro mas, quanto mais
tempo estiver junto de mim, mais me achará esquisita e terá
medo de mim, tal como o resto da escola.
-
'lá! - Disse fazendo um sorriso encantador.
Fiquei
surpreendida. A maioria dos humanos seguia o instinto de se afastar
de mim, mas lá estava ele descontraído... só se
ele fosse um metamorfo.
Funguei
duas vezes e pelo cheiro, era um simples humano normal. Esquisito.
-
Olá. - Respondi finalmente.
***
-Então Alex, já
viste o novo rapaz? É tão podre de bom! - Disse a
Sophie alegremente sorrindo.
-
Sim, senta-se ao meu lado em inglês do primeiro tempo.
- Oh
meu deus! E então?
- Então o quê?
- Perguntei confusa.
- É tão
fixe como dizem por ai?
-
Sei lá. - Encolhi os ombros.
-
Meu deus, se fosse eu a estar ao pé dele... - Disse ela com um
olhar sonhador.
Revirei
os olhos. A Sophie apaixonava-se demasiado facilmente e depois
sofria, e bastante.
Fomos
até à cantina buscar a comida e sentámo-nos numa
mesa onde estavam umas amigas da Sophie. Sentei-me na cadeira mais
distante.
- Já
viste o novo rapaz Sophie? - Perguntou uma rapariga baixa, que se não
me engano, chama-se Anna.
-
Sim, é uma brasa. – Disse. - E sabes quem esta ao pé
dele... a Alex!
- A
Alex? - Olhou para mim com ar de “pobre coitado” mal disfarçado.
-
Sim! Não é maravilhoso?! Ela pode pedir-lhe o número
para nós! - Sorriu.
-
Seria tão fixe! - Disse outra rapariguinha cujo nome já
me esquecera.
Suspirei
e revirei os olhos. Ao mesmo tempo o Adam entrou na cantina e fez um
sorriso sedutor para umas raparigas que eram o total cliché
de meninas populares: loiras, com quilos de maquilhagem em cima,
decotes provocadores e shorts que mal tapam o rabo, que usavam mesmo
estando um frio de rachar.
Só
reparei que estava a olhar fixamente para ele quando a Stacia, uma
das raparigas a quem ele sorriu, fez-me um sorriso de desdém e
o seu clone mais burro, Avery ficou a olhar para mim como se fosse
contagiosa. Mas o que me surpreendeu foi o facto de o Adam me olhar,
bem, como se fosse normal, coisa que ninguém desta escola, sem
ser a Sophie, fazia.
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