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segunda-feira, 20 de maio de 2013

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Uma Flecha Que Voltou- Capítulo 4: Caído do Céu

Boa noite, está aí o capítulo 4!! Peço desculpa por chegar tarde este mês... mas isto dos correios está complicado! Haha
Espero que gostem! = ]

Capítulo 4: Caído do Céu
                O som de uma porta a bater acordou Clare. Ela ainda se encontrava no chão, meio atordoada. Clare sentou-se, estava com uma dor de cabeça infernal. Sentia tudo a andar à volta. Ela tentou lembrar-se do que acontecera para estar caída na casa de banho, mas tudo o que se lembrara era o sonho, mais uma vez, imagens de Psiquê.
                Levantou-se do chão e tentou deitar-se na cama. Àquela hora de certeza que era a mãe que tinha acabado de chegar do cabeleireiro, onde costumava ir praticamente todos os dias. Se não fosse ao cabeleireiro era ao spa. De qualquer forma, a senhora Bela não a poderia ver nesse estado, caída no chão da casa de banho se não resultaria em perguntas sem fim após uma ida às urgências. A melhor maneira que Clare tinha de disfarçar era deitar-se na cama e fingir que estava a dormir.
Após uns minutos, ouviram-se uns passos e um bater à porta, depois, os passos afastaram-se. Entretanto, Clare adormecera novamente mas desta vez apenas a escuridão invadiu os seus sonhos. Quando acordou, viu um papel branco caído no chão ao pé da sua porta. Ela apanhou-o e por dentro dizia: “ Querida, o seu pai voltou e nós vamos sair, vamos jantar juntos. Beijinhos” Clare voltou a dobrar o papel e colocou-o na secretária do seu quarto, ao lado do computador. Ela admirava-se como era possível esta relação. Eles passavam a maior parte do tempo longe um do outro, mas, mal se viam, era como se não houvesse mais nada neste mundo. Ela não conseguia perceber, era confuso demais.
- Bem, parece que vou ter arranjar que fazer… - disse Clare para si própria. Naquilo o seu telemóvel vibrou pela enésima vez, deveriam ser as suas amigas a perguntar-lhe onde estaria ela, pois não a viam desde o intervalo da manhã. Com um grande esforço, Clare esticou o braço e agarrou no seu iPhone cor-de-rosa. Tinha recebido trinta mensagens e dez chamadas. Eram todas a perguntar onde ela estava. Algumas até já com ameaças de ir à polícia reportar um desaparecimento. “Não te preocupes, eu só estava meio cansada por isso fui descansar. Vamos jantar nalgum lugar?” Foi o que Clare respondeu para todas as mensagens. Enquanto esperava as respostas, foi arranjar-se. O seu cabelo estava péssimo de estar deitada e aquelas roupas já não aguentariam o frio. Embora durante o dia já estivesse quentinho, as noites continuavam frescas. Clare foi ao seu armário, que mais parecia uma outra divisão da casa, e retirou umas calças azuis escuras e um top, um pouco mais quente que o que tinha vestido. Naquilo, Kelly mandou-lhe uma resposta “’Bora lá! Encontramo-nos todas no sítio do costume.” Até que uma saída com as amigas lhe iria fazer bem. Fora um dia muito cansativo e, agora que já estava melhor, parecia-lhe bem. Clare só não gostava muito do caminho para o pub, mas as “Jacket Potatoes” valem a pena.
Clare entrou no seu Audi e seguiu caminho para o pub. Estava prestes a entrar na parte mais abrigada da floresta quando decidiu ligar o rádio a altos berros, sempre a distraía mais e o caminho não parecia tão longo. De repente, o carro estremeceu todo, como se Clare tivesse atropelado um animal. Com uma travagem a fundo, Clare parou o carro para ver o que se passara. A cerca de trezentos metros de distância, encontrava-se um brilho no meio do chão. Clare não sabia o que fazer. Para todos os efeitos, aquilo poderia ser um extraterrestre ou algo que a poderia matar, só que alguma coisa a atraiu à luz. Era inexplicável. Sentia-se como se tivesse de ir ver o que acontecera lá atrás. Clare ganhou coragem e foi ver o que se passava. Entrou no seu carro e fez marcha atrás até chegar à luz. À medida que se aproximava, a figura de uma pessoa ia aparecendo no meio da luz. Uma pessoa estava a brilhar, mas a cada minuto que passava, brilhava menos.
- Que estranho... – Clare disse para si mesma. Mas, quanto mais se aproximava, mais o seu coração ficava apertado, pois a figura no chão era a de Caleb. Clare assim que se apercebeu entrou em pânico. Estaria Caleb vivo ou morto? Donde teria ele vindo? E porque raio estava a brilhar?
Ela saltou para fora do carro e foi ter com ele. Estava inconsciente, isso ainda a deixou mais em pânico. Ela não sabia o que fazer, ir ao hospital seria um bocado estranho pois ainda apareceriam os serviços secretos e levavam-no para um laboratório para lhe fazerem experiências em vez de o curar. Isso não! O melhor seria leva-lo para casa, assim quando ele acordasse, podiam resolver o assunto. Mas, logo de seguida, Clare lembrou-se que ele caiu, poderia ter ossos partidos… Mas, com uma rápida análise, não lhe parecia que estivesse nada partido, nem tinha uma gota de sangue derramado. Ela tinha de confiar mais em si, afinal de contas, ela mais depressa caminhava para enfermeira que para mulher de negócios, graças ao seu passatempo. Neste caso, o melhor seria leva-lo para casa.
Com um grande esforço, Clare agarrou num braço de Caleb e cuidadosamente ergueu o seu corpo. Colocou-o no banco do pendura e rezou para que não houvesse polícia pelas ruas. Cinco minutos mais tarde, Clare chegou a casa, que ainda se encontrava desabitada. Retirou Caleb do banco do carro e levou-o lá para dentro. Colocou-o no quarto dos hóspedes. Por esta altura, Caleb já deixara de brilhar por completo, mostrando então o verdadeiro estado em que se encontrava. Um arranhão aqui, outro ali. Nada de muito especial. Apenas as suas roupas estavam rasgadas e a sua cara um pouco suja. Fora isso, não estava mal. Clare foi assaltar o armário do seu pai, de onde retirou uma camisola “velha”, não tinha nada de velho, só estava já fora de moda. Também tirou umas calças de ganga que, sinceramente, Clare nem sabia da sua existência. Deslocando-se para o quarto onde Caleb estava, deixou tudo num monte, arrumadinho no fundo da cama. Caleb ainda se encontrava inconsciente e assim parecia querer ficar nos próximos tempos, por isso Clare decidiu ligar para Kelly e avisa-la que não podia ir ter com elas hoje pois acontecera um imprevisto. Com uma grande tristeza, Kelly aceitou a justificação e desligou o telemóvel. Ela até era das poucas verdadeiras amigas de Clare, ao menos essa não estava com ela só por ser rica ou por ser a mais popular. Clare decidiu ficar no quarto de Caleb até ele acordar, seria o melhor.
Caleb, uma hora mais tarde, finalmente deu sinal de vida. Clare já suspeitara que estivesse para acordar pois estava a falar no seu dormir e a ficar bastante irrequieto.
Caleb abriu os olhos lentamente, meio atordoado. De repente, como se tivesse lembrado algo, abraçou Clare ferozmente.
-Ainda bem que estás bem…- Era a única coisa que ele dizia vezes e vezes sem conta.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Uma Flecha Que Voltou - Capítulo 3: Psiquê

Olá! Trago-vos mais um capítulo. Espero que gostem! :D Ah, e boa Páscoa =)


Capítulo 3: Psiquê
                 Clare não acreditara no que acabara de ver. Era tão surreal, como se fosse tirado de uma história de fantasia. E o pior: ela sabia no fundo que era tão verdade quanto a sua existência. Ela não conseguira deixar de pensar no nome Psiquê. De onde viria? Depois, aquela sensação de vazio. Mexia profundamente com ela. Como era possível que uma pessoa se sentisse tão vazia e ainda assim sobreviver. Algo lhe dizia que a história não teria um final feliz. Clare ainda estava algo confusa. Passara por tantas emoções, sentimentos e memórias em tão poucos segundos…
                Clare sentou-se na borda do passeio, pousou os livros e tentou acalmar a terrível dor de cabeça que lhe aparecera por ter entrado demasiada informação de uma só vez.
Quando Clare ficou melhor, levantou-se e dirigiu-se ao seu carro. Tinha de ir para casa. Voltar para as aulas já não era opção, a campainha já tinha soado há bastante tempo e aquela era a sua última aula; procurar Caleb… esquece, já lhe causara problemas suficientes. Havia a questão dos livros mas isso resolver-se-ia quando se voltassem a encontrar. Por agora, algo mais urgente estava na mente dela. Clare simplesmente não conseguia tirar da cabeça quem seria essa tal rapariga e que ligação havia com o nome Psiquê que lhe ocorrera no fim.
Quando chegou a casa, Clare subiu para o seu quarto e abriu o seu portátil topo de gama cor-de-rosa.
- Ora bem, vamos lá ver então que segredo será esse. –Disse enquanto estalava as mãos. Após isso colocou no Google. Alma, mente, ego eram algumas definições que encontrou, mas nada era relevante para o caso. Até que, finalmente se cruzou com a rapariga da história. Psiquê: a paixão de Eros.
Ela nesta parte ia caindo para o lado… Eros era a fotocópia de Caleb. Mas que raio… voltando ao que acontecera hoje, ele realmente ia para dizer que se chamava algo começado por “E” e depois alterou para Caleb, “C”. C de cupido… será que isso é mesmo assim? Não, ela estaria a imaginar. Era impossível. Os deuses gregos não andariam assim, isto é, se existissem sequer. Não, ele era o Caleb e apenas o Caleb.
Clare sentiu um arrepio forte. O seu braço esquerdo começara a arder mesmo muito. Ela foi ver o que se passava com o braço e encontrou um grande sinal vermelho, o braço estava a ficar muito vermelho e quente. Em questão de minutos, o vermelho começou a ganhar a forma de uma chama e de uma seta, tal como a tatuagem de Caleb. Clare assustou-se e foi a correr para a casa de banho tentar tirar aquilo mas apenas piorava a situação. Uma dor de cabeça terrível invadiu-a e ela desmaiou, caindo no meio do chão da casa-de-banho.
Novas imagens invadiram-lhe a cabeça. Ela viu Psiquê e Eros a conversar à noite, viu a chegada dela a Olimpia, depois sentiu um grande sentimento de inveja por parte de um deus da família de Eros, viu Psiquê a ser raptada, torturada e levada para longe até que o impensável acontecera… Psiquê foi morta com um taco de espinhos venenosos pelo que parecia ser a bruxa do oeste do feiticeiro de Oz, mas a única diferença era que a pele era acinzentada e não verde como na história. Eros procurara a sua alma gémea por todo o lado mas não a encontrava. Durante centenas de anos, nunca se sentira assim por ninguém. Decerto que Psiquê se encontrava nos campos Elísios. Depois, tudo se apagou e Clare ficou desmaiada, a tatuagem ainda a formar-se.
                - Estou? – Respondi, atendendo o telemóvel. Aquele número não me era estranho. Ainda me encontrava à entrada da escola a observar, de longe, a fotocópia de Psiquê ao pé da minha mota.
- Olá Eros era mesmo contigo que precisava falar. Sabes, tenho aqui um problema filho. – Respondeu uma voz grossa, masculina. Bolas, o que é que este quer agora? Primeiro a minha mãe a chatear-me, agora o meu pai, que só quer saber de mim quando estão a ameaçar a sua querida cidade Thebes. – Sabes, eu queria a tua ajuda porque andam a tentar invadir a minha casa. A tua “tia” Artemis quer-me chatear a cabeça, então anda a reunir uns seres quaisquer, acho que também inclui centauros. Isso é o que me está a preocupar mais… então estava à espera que tu me pudesses ajudar. Anda lá filhote, só mais uma vez.
Eu detestava quando ele utilizava o termo “filhote”. Era só para me adoçar a boca mas não, desta vez não. Eu disse que estava de folga! Mas centauros? Será que a Artemis teve mesmo a coragem de ir pedi-los a Apolo? Expirando fundo disse a Ares que sim que iria ver o que se passava. Mas deixava-me o coração apertado ter de deixar Clare fora da minha vista por um minuto que seja… o que é que será que aconteceu para de repente me sentir assim por ela? Aos séculos que não me sentia assim por ninguém… desde… bem, desde Psiquê. Desde que ela foi morta pelos capangas do Ftono. Raio do deus da inveja, não pode ver ninguém feliz… se algum dia tenho o feliz prazer de me cruzar com ele… ai ele que fuja, para bem longe!
Escondi me atrás de uns arbustos que haviam perto da escola e teleportei-me para o templo do meu pai em Olimpia para encontrar uma voz feminina aos berros.
Artemis estava a discutir com Ares porque este lhe tinha estragado os planos de ocupação da Coreia do Sul sobre a do Norte através de leis políticas. Mas não, Ares tinha de ajudar os nortenhos a testar bombas nucleares e protegerem-se. Por isso iria aprender uma excelente lição!
- Artemis, o que é que se passa? – Perguntei-lhe, entrando pelo templo a dentro. Os deuses de Olimpia não se podem matar uns aos outros, isso estragaria a sua perfeição é claro, mas amaldiçoar ou causar danos em “certas” cidades já era outra história.
- Ah nada, estava apenas a ter uma conversa com o teu paizinho. – Disse Artemis, continuava a olhar para Ares. O seu cabelo estava mais vermelho que alguma vez vi. Bolas, estava mesmo zangada… Naquilo, Artemis começou a olhar profundamente para o meu braço.
- Eros, o que andaste a fazer? – Artemis disse curiosamente, aproximando-se lentamente de mim, não desviando o seu olhar do meu. Ares, que assistia à cena toda, deslocou-se para a porta de modo a tentar encerrar o templo para ninguém entrar.
- Eu? Nada porquê? – Respondi-lhe de coração aos pulos. Não precisava de olhar para o braço para saber o que Artemis estava a ver. Eu ainda sentia o ardor da tatuagem no braço. Tinha-me esquecido completamente! Estou feito ao bife…
- Será que estou a ver bem? Isso está a brilhar tal como antes de Ftono. Parece-me que estás apaixonado Eros! Que informação mais valiosa… - Artemis disse pensativa.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 2: Um Dia Inesperado

Boa noite, peço imensa desculpa só puder publicar hoje a história, para o mês que vem já vou puder publicar mais cedo espero eu. Espero que gostem!


Capítulo 2: Um Dia Inesperado
                Assim que aquela rapariga me deixou à porta da sala, eu suspirei. Era o novato outra vez. Mais uma escola, mais uma apresentação. “Um novo início” dizem alguns, mas o que é certo, após muitos “novos inícios”, qualquer pessoa se farta.
                Bati à porta educadamente e uma voz feminina, já com alguma idade, mandou-me entrar. Não estaria muito atrasado pelo que os meus novos colegas ainda estavam descontraidamente a tirar as coisas das suas respectivas malas, de modo a começar um novo dia. A professora chamou a atenção de todos. De seguida, apresentou-me e mandou-me sentar mesmo onde eu queria sentar. Duas filas atrás, 4 cadeiras para a esquerda, mesmo encostado à parede. Perfeito!
                A aula deu início e logo de imediato o meu cérebro entrou em modo automático. Já sabia a matéria toda de trás para a frente e assim dava-me tempo para pensar. Amanhã começava a trabalhar. Hoje ainda não. O encontro de manhã deixou-me completamente confuso. O que estaria Psique a fazer aqui? Ela tinha morrido. Como era possível ainda estar viva? Após tantos anos, o que estaria ela a fazer aqui? Teria de ir resolver esse assunto o mais urgente possível.
                Naquilo o telemóvel começou a vibrar. Tinha recebido uma mensagem da mãe. “Hoje vou jantar com o John, depois passo por tua casa.” Bonito, para além de quase ter tido um acidente ao caminho da escola, encontrado a fotocópia da Psique, ter chocado com ela, ser o primeiro dia de aulas, ainda tinha de levar com a mãe. Boa… Estava mesmo a ser daqueles dias… Continuei a ouvir a professora a falar.
                Quando a aula terminou, decidi trabalhar. Sempre me distraía de tudo. Nota para mais tarde: falar com os Fados. Vamos lá ver se consigo tirar delas umas férias, mas só depois de terminar este caso. Agora somos só nós, Andrea.
                Andrea saiu da sala e encontrou-se com as amigas. O mais provável era isto ser rotineiro, por isso vai para a coluna da rotina. De repente, um arrepio percorreu-me o corpo. Isso só podia significar que alguém estaria ao pé da minha mota. Nada de preocupante. Isso acontecia tanta vez pois a mota era parte dele… mas desta vez era forte. Estranho.
Durante o resto do intervalo, mantive-me a espia-la. A lista já estava a ficar composta, só a pele de galinha não acabou e nos últimos minutos tinham piorado os arrepios. Estava a dirigir-me para a sala onde iria ter matemática, quando a minha tatuagem começou a ferver. Não estava quente, estava a ferver. Arregacei a manga e as chamas estavam um pouco brilhantes, como se estivessem a ganhar vida…
Mas que raio?

Uma hora antes.
                Clare estava em estado de choque. Encontrava-se na aula de geografia completamente distraída. Só pensava em Caleb. Era tão difícil tirá-lo da cabeça…
                Ainda para ajudar, quando colidiram, trocaram de livros. Ele ficou com o livro de geografia dela e vice-versa. Dentro do livro dele eram só desenhos. Alguns abstractos, outros de deuses gregos. Eram autênticas estátuas em desenho, ele tinha mesmo jeito para isso!
                A primeira coisa que faria era devolver-lhe o seu livro e ter outra hipótese em falar com ele também. Clare voltou a tentar prestar atenção à aula mas a sua mente começou a divagar.
                A campainha soou dizendo que era hora de intervalo, mas, graças à professora Greedy, a turma teve de ficar até acabar de fazer a questão, ou seja mais 5 minutos. Clare já se estava a passar. Este atraso custara-lhe a troca!
                Finalmente, ao fim de 7 minutos, saíram. Clare acelerou o passo dirigindo-se em direcção à mota de Caleb. Ela estava certa que Caleb voltaria lá. Pelo caminho, infelizmente, cruzou-se com Thomas Goodmans, também conhecido por T.G. “Mais alguma coisa?” pensou ela.
                - Olá para ti também. – T.G. disse-lhe. Mas com tanta pressa que Clare tinha, mal se ouviu o “Olá seu…” qualquer coisa que, por sorte, Tom não ouviu. Ele era uma pessoa de cabeça quente, ao mínimo insulto ficava fulo e o caldo entornava-se.
                Clare não tinha tempo para ouvir as parvoíces e as lamentações seguidas de tentativas de se atirar a ela. Agora tinha uma missão. Avistou a mota… e mais 3 rapazes: um moreno, um rapaz musculado e um ligeiramente mais alto que os outros. Estavam todos a apreciar a mota.
                - Clare, esta mota é tua? – Perguntou o moreno. Ele tinha o penteado “à esfregona”, o que andava bastante na moda. Pessoalmente, Clare detestava-o na maioria dos casos, mas neste nem ficava muito mal. Tinha umas tatuagens à vista no pescoço e nos braços, meio escondidas com a t-shirt. O amigo de olhos azuis lindíssimos deu-lhe uma chapada na cabeça.
- Não sejas idiota, o carro dela é o Audi! – Respondeu o amigo de olhos azuis.
                - Bem nós vamos andando. – Disse o rapaz musculado, com o cabelo preto, espetado, com um ar rebelde. “Nem era muito feio.” Pensou Clare, mas quem ela queria verdadeiramente não estava lá.
                Clare por esta hora desesperava. Ainda não tinha visto Caleb e já só faltavam 3 minutos para entrar. Começou a apreciar a mota. Realmente tinha algo de invulgar. Era mesmo linda e fazia-a lembrar o próprio Caleb só pela aparência. Talvez fosse da tatuagem, parte essa que Clare estava distraidamente a analisar mais pormenorizadamente. Parecia que o símbolo nascera com a mota. Parecia estar inserido na mota. Clare passou as pontas dos dedos pelas chamas que rodeavam a seta no desenho.
                Naquilo, o fogo começou a acender e a brilhar, como se tivesse ganho vida, e uma sensação esquisita invadiu-a. Começou a ver o que parecia ser uma espécie de filme feito de pequenos bocados.  Ela viu uma rapariga muito parecida com ela na ponta de um penhasco, numa espécie de cerimónia. Depois viu esta a ser transportada pelo vento até um lindo prado. Após isso apareceu ela perdida, a procurar pelo mundo inteiro, por algo que não conseguia encontrar. Sentimentos de paixão, mistério, reconhecimento invadiram-na. “Psique.” 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Conto do Dia dos Namorados: A Hora Chegou (Uma Flecha Que Voltou)

Epílogo: A hora chegou! É agora ou nunca.
Por entre os arbustos, eu estava baixado a observar a cena toda. Uma rapariga loira, nos seus 20 anos de idade que eu andei a perseguir o mês inteiro, tomando nota de todos os seus movimentos, horários, marcações e apontamentos, aproximava-se do ponto “x”.
Um rapaz, também da mesma idade da rapariga. Moreno, de olhos azuis, sobre quem eu tinha feito a mesma pesquisa, aproximava-se. Era este o seu destino. Se eu falhasse alterava o percurso de duas vidas. Era a minha cabeça que estava a prémio! O que valia é que já lá iam milhares de anos de treino, nunca falhara uma.
Arregacei a manga do meu braço direito, lá encontrava-se o meu símbolo, uma seta de tiro-ao-alvo rodeada de chamas, como se voasse a arder. Significava a paixão, louca, desigual que a seta proporcionava, agora era o problema das pessoas se queriam que a relação durasse ou não. Tudo o que podia fazer era iniciar, a duração… bem eu podia escolher, coisa que já fiz, mas como nem sempre correu bem… é melhor nem mexer nisso sem que os Fados me peçam.
Toquei no antebraço, na parte inferior da seta, durante dez segundos e materializou-se uma seta verdadeira na minha mão. Eu tinha de acertar mesmo nos dez segundos pois isso era o tempo que o feitiço duraria. Desta vez… bem… digamos que durante muito tempo não vão chatear-se com facilidade. Agarrei a seta e estiquei-a para os lados, tanto que se formaram duas setas. De um bolso do meu casaco retirei um mini arco, perfeito para as setas que, em si, tinham apenas uns cinco centímetros. Juntei a parte do fim da seta de tal maneira que, assim que saísse do arco, o vento rasgava-a em duas, novamente, e acertava no casal, ao mesmo tempo, provocando um “acidente” em que se conheceriam.
Tal como o plano que estava formado na minha cabeça sugeriu, eu juntei a ponta das setas e apontei. De repente, um estrondo suou e uma mulher nos seus trinta anos materializou-se ao meu lado. As setas soltaram-se com o susto. Uma bateu no chão. Do chão, bateu numa árvore, onde ressaltou e acertou numa gaivota, atravessando-lhe o coração e matando-a. As setas tinham esta particularidade: ressaltavam de objectos e plantas, como se fosse um trampolim. Apenas os animais absorviam as setas, mas como a magia que continham era forte e humana, provocavam quase sempre alguma doença, neste caso, a seta provocou-lhe um AVC.
A gaivota caiu mesmo em cima da rapariga alvo. Esta soltou um grito altamente agudo e saltou para trás. O rapaz alvo, que já tinha passado por ela, veio a seu socorro para saber o que passava com ela.
Eu, aproveitando este feliz incidente, tirei umas outras duas setas e conclui a minha missão, que teria sido fácil não fosse a minha querida mãe Afrodite aparecer e estragar-me tudo.
- É tão bom saber essa tua eficiência Eros. – Disse Afrodite, causadora do problema todo, enquanto olhava distraidamente para as suas unhas. - Bem filho, eu vim até aqui para te falar sobre a Zenita. Queria saber se já trataste do assunto.
Oh não… outra vez a conversa da treta sobre a sua “inimiga” mortal. Ela queria que eu lhe fizesse a folha, ou melhor, a fizesse apaixonar por o homem mais feio à face da Terra, só por ela ter ganho a Miss Mundo deste ano! Ela devia era estar grata por isso ter acontecido, porque se não acontecesse, ninguém se lembrar-se-ia dela. Ao verem Zenita, toda a gente passou a lembrar-se da expressão “Deusa Grega”, e por consequência, de Afrodite!
Enquanto nós passeávamos pelo parque, ouvindo as perseguições e ideias de como destruir a rapariga, não nos apercebemos do que se passara atrás de nós.
De tão preocupante que estava a situação, não me lembrei da segunda seta. Esta tinha batido no chão, voou, falhou o alvo e voou até acertar num vagabundo que procurava a sua próxima refeição num caixote de lixo próximo.
Este olhou para cima, meio atordoado após a colisão da seta. O vagabundo nunca tinha visto nada mais belo, nada mais perfeito! Uma mulher nos seus trinta, aproximadamente a mesma do vagabundo, passeava com um rapaz ao seu lado sobre quem se referia como filho. Tinha cabelo comprido, mesmo muito comprido, dourado. Uns olhos azuis mesmo lindos, como nada que ele alguma vez tenha visto na sua vida. E para por a cereja no topo do bolo, usava um vestido branco, lindíssimo.
Ele estava completamente apaixonado por ela.
- Aquela rapariga não pode andar por ai assim! E depois? Se começam a adora-la em vez de mim? Não pode ser, a ameaça tem de ser eliminada!- continuava Afrodite a discursar.
De repente veio uma rajada de vento e chegou-me um cheiro a podre, misturado com um cheiro a esgoto. Olhei para trás e um vagabundo estava a perseguir-nos, há quanto tempo estaria nisso não sei. Só sei que tinha uma aurora de fortemente apaixonado e como só estávamos os três no parque, era óbvio que era pela minha mãe. Bonito.
- Mãe, tenho uma coisa para te contar. – Disse-lhe, interrompendo, o que não era nada bom. – Lembraste que eu há bocado mandei duas setas? Bem uma delas vimos o que aconteceu… a outra está atrás de nós…
Afrodite entrou em pânico. Olhou por todo o lado e viu o que me referia. Era horrível de se ver! Barba grande como um pai Natal, preta, toda desajeitada. Ela ia-se enjoando toda só de o ver. Roupa toda rasgada, com remendos. Um gorro na cabeça cheio de terra e imundices. Era horrível.  
- E agora o que vamos fazer filho? – Disse Afrodite completamente aterrorizada. Se tivessem de recorrer aos fados, ela estava tramada. A última vez que teve de ir ter com Clothos, bem, não correu para o melhor e Zeus acabou por bani-la de as visitar.
- Não sei mãe.
Bem… eu na verdade sabia o que fazer. Não queria era dize-lo. Eu queria dar uma prenda à minha mãe, uma vez que hoje é o nosso dia. Dia 14 de Fevereiro, também conhecido por dia do amor. Hehe, e que bela prenda que ela ia ter, afinal os Fados sabem sempre tudo.
Uns quilómetros mais a frente, eu arranjei a desculpa de que precisava de ir à casa de banho e pus o meu plano em marcha, e quem melhor que eu para unir casais! Paramos num café e a Afrodite ficou sentada a beber o seu chá de Camomila, eu dirigi-me para as traseiras do café, de modo a fugir ao olhar pouco distraído dela. Quem é que haveria de encontrar? O vagabundo que estava perdido de amores por Afrodite. Claro, isto já não era uma surpresa. Afinal a dose que levou foi bastante forte. Combinei que ele fosse ter à nossa mesa dentro de 2 minutos enquanto eu me escondia na esquina do café. Por esta altura, a minha mãe já se teria fartado de estar à minha procura e ter-se-ia dedicado a beber o seu chá e ler uma revista de fofoquices, não vendo quem se dirigia a ela sorrateiramente. Eu agarrei numa seta, de duração de uma semana, sim isso devia chegar, e apontei para a minha mãe no momento em que o vagabundo, cujo nome era John, e zás. Está feito. Agora era só observar a cena.
Afrodite olhou para trás e viu o seu grande amor olha-la nos olhos com os seus olhos acinzentados, cor mais linda que ela alguma vez viu. Apesar do cheiro e roupas sujas, barba por fazer, Afrodite não conseguia evitar de pensar que este era o homem dos seus sonhos. Tinha de o levar para o seu palácio. Ai, tão apaixonada que ela estava.
Eu ri-me tanto ao ver desenrolar a cena toda, mas tinha de ser. Se não fosse assim, ela nunca iria aprender a lição e assim podia ser que deixasse a pobre da Zenita em paz.