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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 2: Um Dia Inesperado

Boa noite, peço imensa desculpa só puder publicar hoje a história, para o mês que vem já vou puder publicar mais cedo espero eu. Espero que gostem!


Capítulo 2: Um Dia Inesperado
                Assim que aquela rapariga me deixou à porta da sala, eu suspirei. Era o novato outra vez. Mais uma escola, mais uma apresentação. “Um novo início” dizem alguns, mas o que é certo, após muitos “novos inícios”, qualquer pessoa se farta.
                Bati à porta educadamente e uma voz feminina, já com alguma idade, mandou-me entrar. Não estaria muito atrasado pelo que os meus novos colegas ainda estavam descontraidamente a tirar as coisas das suas respectivas malas, de modo a começar um novo dia. A professora chamou a atenção de todos. De seguida, apresentou-me e mandou-me sentar mesmo onde eu queria sentar. Duas filas atrás, 4 cadeiras para a esquerda, mesmo encostado à parede. Perfeito!
                A aula deu início e logo de imediato o meu cérebro entrou em modo automático. Já sabia a matéria toda de trás para a frente e assim dava-me tempo para pensar. Amanhã começava a trabalhar. Hoje ainda não. O encontro de manhã deixou-me completamente confuso. O que estaria Psique a fazer aqui? Ela tinha morrido. Como era possível ainda estar viva? Após tantos anos, o que estaria ela a fazer aqui? Teria de ir resolver esse assunto o mais urgente possível.
                Naquilo o telemóvel começou a vibrar. Tinha recebido uma mensagem da mãe. “Hoje vou jantar com o John, depois passo por tua casa.” Bonito, para além de quase ter tido um acidente ao caminho da escola, encontrado a fotocópia da Psique, ter chocado com ela, ser o primeiro dia de aulas, ainda tinha de levar com a mãe. Boa… Estava mesmo a ser daqueles dias… Continuei a ouvir a professora a falar.
                Quando a aula terminou, decidi trabalhar. Sempre me distraía de tudo. Nota para mais tarde: falar com os Fados. Vamos lá ver se consigo tirar delas umas férias, mas só depois de terminar este caso. Agora somos só nós, Andrea.
                Andrea saiu da sala e encontrou-se com as amigas. O mais provável era isto ser rotineiro, por isso vai para a coluna da rotina. De repente, um arrepio percorreu-me o corpo. Isso só podia significar que alguém estaria ao pé da minha mota. Nada de preocupante. Isso acontecia tanta vez pois a mota era parte dele… mas desta vez era forte. Estranho.
Durante o resto do intervalo, mantive-me a espia-la. A lista já estava a ficar composta, só a pele de galinha não acabou e nos últimos minutos tinham piorado os arrepios. Estava a dirigir-me para a sala onde iria ter matemática, quando a minha tatuagem começou a ferver. Não estava quente, estava a ferver. Arregacei a manga e as chamas estavam um pouco brilhantes, como se estivessem a ganhar vida…
Mas que raio?

Uma hora antes.
                Clare estava em estado de choque. Encontrava-se na aula de geografia completamente distraída. Só pensava em Caleb. Era tão difícil tirá-lo da cabeça…
                Ainda para ajudar, quando colidiram, trocaram de livros. Ele ficou com o livro de geografia dela e vice-versa. Dentro do livro dele eram só desenhos. Alguns abstractos, outros de deuses gregos. Eram autênticas estátuas em desenho, ele tinha mesmo jeito para isso!
                A primeira coisa que faria era devolver-lhe o seu livro e ter outra hipótese em falar com ele também. Clare voltou a tentar prestar atenção à aula mas a sua mente começou a divagar.
                A campainha soou dizendo que era hora de intervalo, mas, graças à professora Greedy, a turma teve de ficar até acabar de fazer a questão, ou seja mais 5 minutos. Clare já se estava a passar. Este atraso custara-lhe a troca!
                Finalmente, ao fim de 7 minutos, saíram. Clare acelerou o passo dirigindo-se em direcção à mota de Caleb. Ela estava certa que Caleb voltaria lá. Pelo caminho, infelizmente, cruzou-se com Thomas Goodmans, também conhecido por T.G. “Mais alguma coisa?” pensou ela.
                - Olá para ti também. – T.G. disse-lhe. Mas com tanta pressa que Clare tinha, mal se ouviu o “Olá seu…” qualquer coisa que, por sorte, Tom não ouviu. Ele era uma pessoa de cabeça quente, ao mínimo insulto ficava fulo e o caldo entornava-se.
                Clare não tinha tempo para ouvir as parvoíces e as lamentações seguidas de tentativas de se atirar a ela. Agora tinha uma missão. Avistou a mota… e mais 3 rapazes: um moreno, um rapaz musculado e um ligeiramente mais alto que os outros. Estavam todos a apreciar a mota.
                - Clare, esta mota é tua? – Perguntou o moreno. Ele tinha o penteado “à esfregona”, o que andava bastante na moda. Pessoalmente, Clare detestava-o na maioria dos casos, mas neste nem ficava muito mal. Tinha umas tatuagens à vista no pescoço e nos braços, meio escondidas com a t-shirt. O amigo de olhos azuis lindíssimos deu-lhe uma chapada na cabeça.
- Não sejas idiota, o carro dela é o Audi! – Respondeu o amigo de olhos azuis.
                - Bem nós vamos andando. – Disse o rapaz musculado, com o cabelo preto, espetado, com um ar rebelde. “Nem era muito feio.” Pensou Clare, mas quem ela queria verdadeiramente não estava lá.
                Clare por esta hora desesperava. Ainda não tinha visto Caleb e já só faltavam 3 minutos para entrar. Começou a apreciar a mota. Realmente tinha algo de invulgar. Era mesmo linda e fazia-a lembrar o próprio Caleb só pela aparência. Talvez fosse da tatuagem, parte essa que Clare estava distraidamente a analisar mais pormenorizadamente. Parecia que o símbolo nascera com a mota. Parecia estar inserido na mota. Clare passou as pontas dos dedos pelas chamas que rodeavam a seta no desenho.
                Naquilo, o fogo começou a acender e a brilhar, como se tivesse ganho vida, e uma sensação esquisita invadiu-a. Começou a ver o que parecia ser uma espécie de filme feito de pequenos bocados.  Ela viu uma rapariga muito parecida com ela na ponta de um penhasco, numa espécie de cerimónia. Depois viu esta a ser transportada pelo vento até um lindo prado. Após isso apareceu ela perdida, a procurar pelo mundo inteiro, por algo que não conseguia encontrar. Sentimentos de paixão, mistério, reconhecimento invadiram-na. “Psique.” 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Conto do Dia dos Namorados: A Hora Chegou (Uma Flecha Que Voltou)

Epílogo: A hora chegou! É agora ou nunca.
Por entre os arbustos, eu estava baixado a observar a cena toda. Uma rapariga loira, nos seus 20 anos de idade que eu andei a perseguir o mês inteiro, tomando nota de todos os seus movimentos, horários, marcações e apontamentos, aproximava-se do ponto “x”.
Um rapaz, também da mesma idade da rapariga. Moreno, de olhos azuis, sobre quem eu tinha feito a mesma pesquisa, aproximava-se. Era este o seu destino. Se eu falhasse alterava o percurso de duas vidas. Era a minha cabeça que estava a prémio! O que valia é que já lá iam milhares de anos de treino, nunca falhara uma.
Arregacei a manga do meu braço direito, lá encontrava-se o meu símbolo, uma seta de tiro-ao-alvo rodeada de chamas, como se voasse a arder. Significava a paixão, louca, desigual que a seta proporcionava, agora era o problema das pessoas se queriam que a relação durasse ou não. Tudo o que podia fazer era iniciar, a duração… bem eu podia escolher, coisa que já fiz, mas como nem sempre correu bem… é melhor nem mexer nisso sem que os Fados me peçam.
Toquei no antebraço, na parte inferior da seta, durante dez segundos e materializou-se uma seta verdadeira na minha mão. Eu tinha de acertar mesmo nos dez segundos pois isso era o tempo que o feitiço duraria. Desta vez… bem… digamos que durante muito tempo não vão chatear-se com facilidade. Agarrei a seta e estiquei-a para os lados, tanto que se formaram duas setas. De um bolso do meu casaco retirei um mini arco, perfeito para as setas que, em si, tinham apenas uns cinco centímetros. Juntei a parte do fim da seta de tal maneira que, assim que saísse do arco, o vento rasgava-a em duas, novamente, e acertava no casal, ao mesmo tempo, provocando um “acidente” em que se conheceriam.
Tal como o plano que estava formado na minha cabeça sugeriu, eu juntei a ponta das setas e apontei. De repente, um estrondo suou e uma mulher nos seus trinta anos materializou-se ao meu lado. As setas soltaram-se com o susto. Uma bateu no chão. Do chão, bateu numa árvore, onde ressaltou e acertou numa gaivota, atravessando-lhe o coração e matando-a. As setas tinham esta particularidade: ressaltavam de objectos e plantas, como se fosse um trampolim. Apenas os animais absorviam as setas, mas como a magia que continham era forte e humana, provocavam quase sempre alguma doença, neste caso, a seta provocou-lhe um AVC.
A gaivota caiu mesmo em cima da rapariga alvo. Esta soltou um grito altamente agudo e saltou para trás. O rapaz alvo, que já tinha passado por ela, veio a seu socorro para saber o que passava com ela.
Eu, aproveitando este feliz incidente, tirei umas outras duas setas e conclui a minha missão, que teria sido fácil não fosse a minha querida mãe Afrodite aparecer e estragar-me tudo.
- É tão bom saber essa tua eficiência Eros. – Disse Afrodite, causadora do problema todo, enquanto olhava distraidamente para as suas unhas. - Bem filho, eu vim até aqui para te falar sobre a Zenita. Queria saber se já trataste do assunto.
Oh não… outra vez a conversa da treta sobre a sua “inimiga” mortal. Ela queria que eu lhe fizesse a folha, ou melhor, a fizesse apaixonar por o homem mais feio à face da Terra, só por ela ter ganho a Miss Mundo deste ano! Ela devia era estar grata por isso ter acontecido, porque se não acontecesse, ninguém se lembrar-se-ia dela. Ao verem Zenita, toda a gente passou a lembrar-se da expressão “Deusa Grega”, e por consequência, de Afrodite!
Enquanto nós passeávamos pelo parque, ouvindo as perseguições e ideias de como destruir a rapariga, não nos apercebemos do que se passara atrás de nós.
De tão preocupante que estava a situação, não me lembrei da segunda seta. Esta tinha batido no chão, voou, falhou o alvo e voou até acertar num vagabundo que procurava a sua próxima refeição num caixote de lixo próximo.
Este olhou para cima, meio atordoado após a colisão da seta. O vagabundo nunca tinha visto nada mais belo, nada mais perfeito! Uma mulher nos seus trinta, aproximadamente a mesma do vagabundo, passeava com um rapaz ao seu lado sobre quem se referia como filho. Tinha cabelo comprido, mesmo muito comprido, dourado. Uns olhos azuis mesmo lindos, como nada que ele alguma vez tenha visto na sua vida. E para por a cereja no topo do bolo, usava um vestido branco, lindíssimo.
Ele estava completamente apaixonado por ela.
- Aquela rapariga não pode andar por ai assim! E depois? Se começam a adora-la em vez de mim? Não pode ser, a ameaça tem de ser eliminada!- continuava Afrodite a discursar.
De repente veio uma rajada de vento e chegou-me um cheiro a podre, misturado com um cheiro a esgoto. Olhei para trás e um vagabundo estava a perseguir-nos, há quanto tempo estaria nisso não sei. Só sei que tinha uma aurora de fortemente apaixonado e como só estávamos os três no parque, era óbvio que era pela minha mãe. Bonito.
- Mãe, tenho uma coisa para te contar. – Disse-lhe, interrompendo, o que não era nada bom. – Lembraste que eu há bocado mandei duas setas? Bem uma delas vimos o que aconteceu… a outra está atrás de nós…
Afrodite entrou em pânico. Olhou por todo o lado e viu o que me referia. Era horrível de se ver! Barba grande como um pai Natal, preta, toda desajeitada. Ela ia-se enjoando toda só de o ver. Roupa toda rasgada, com remendos. Um gorro na cabeça cheio de terra e imundices. Era horrível.  
- E agora o que vamos fazer filho? – Disse Afrodite completamente aterrorizada. Se tivessem de recorrer aos fados, ela estava tramada. A última vez que teve de ir ter com Clothos, bem, não correu para o melhor e Zeus acabou por bani-la de as visitar.
- Não sei mãe.
Bem… eu na verdade sabia o que fazer. Não queria era dize-lo. Eu queria dar uma prenda à minha mãe, uma vez que hoje é o nosso dia. Dia 14 de Fevereiro, também conhecido por dia do amor. Hehe, e que bela prenda que ela ia ter, afinal os Fados sabem sempre tudo.
Uns quilómetros mais a frente, eu arranjei a desculpa de que precisava de ir à casa de banho e pus o meu plano em marcha, e quem melhor que eu para unir casais! Paramos num café e a Afrodite ficou sentada a beber o seu chá de Camomila, eu dirigi-me para as traseiras do café, de modo a fugir ao olhar pouco distraído dela. Quem é que haveria de encontrar? O vagabundo que estava perdido de amores por Afrodite. Claro, isto já não era uma surpresa. Afinal a dose que levou foi bastante forte. Combinei que ele fosse ter à nossa mesa dentro de 2 minutos enquanto eu me escondia na esquina do café. Por esta altura, a minha mãe já se teria fartado de estar à minha procura e ter-se-ia dedicado a beber o seu chá e ler uma revista de fofoquices, não vendo quem se dirigia a ela sorrateiramente. Eu agarrei numa seta, de duração de uma semana, sim isso devia chegar, e apontei para a minha mãe no momento em que o vagabundo, cujo nome era John, e zás. Está feito. Agora era só observar a cena.
Afrodite olhou para trás e viu o seu grande amor olha-la nos olhos com os seus olhos acinzentados, cor mais linda que ela alguma vez viu. Apesar do cheiro e roupas sujas, barba por fazer, Afrodite não conseguia evitar de pensar que este era o homem dos seus sonhos. Tinha de o levar para o seu palácio. Ai, tão apaixonada que ela estava.
Eu ri-me tanto ao ver desenrolar a cena toda, mas tinha de ser. Se não fosse assim, ela nunca iria aprender a lição e assim podia ser que deixasse a pobre da Zenita em paz. 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 1: Primeiro Encontro

Um despertador cor-de-rosa choque tocou às 7 da manha. Pelo meio de lençóis lilases, encontrava-se Clare. Também conhecida por “Cobra, Louca, Arrogante, Ruim e Enfadonha” mas, claro, isso só se sabia por trás das costas dela.
- Hurgh, já são 7 horas… - e com isso, Clare mandou uma grande chapada ao despertador que foi disparado ao chão, partindo-se em mil bocados.
De repente, entra um West Highland Terrier branco pela porta, a ladrar, mesmo direitinho à cama.
- Tikky! Sai de cima de mim! Está bem, eu levanto-me.
Bastou Clare dizer isso para a amostra de peluche com caracóis brancos e de coleira vermelha, a que ela chama de cão, saltar da cama e ir disparado pelas escadas a baixo.
Tinha começado mais um dia na vida de Clare.
Clare levantou-se da cama, vestiu a sua roupa favorita: uma minissaia miu miu preta, que deveria ser para criança mas estava prestes a ser usada por uma rapariga de 17 anos; um top com um decote escandaloso do Marks and Spencer e umas botas de salto alto de pele de cobra. Ela tinha de manter o seu estatuto de “miss popular”, como é óbvio. Não podia ir com uma roupa qualquer! Tinha de ser tudo do bom e do melhor, como era a tradição da família. E como tal, Clare dentro de 8 meses estaria a entrar na Universidade de Oxford, não fosse o pai dela um grande empresário de bolsos bem largos.
- Querida! Você já está pronta? O pequeno-almoço já está na mesa. – disse uma voz feminina, mesmo com um sotaque “à tia”, do outro lado da porta do quarto, mas Clare não ouviu. Estava na sua casa de banho privada, enchendo os seus olhos verdes de rimmel, completando o seu quilo de maquilhagem diário.
Quando abriu a porta da casa de banho, esbarrou com uma senhora nos seus 40 anos, cabelos bem louros, encaracolados e curtos. Bela tinha olhos verdes, tal como a sua filha, Clare.
- O que é que estás aqui a fazer mãe? – Inquiriu Clare com a sua voz fina, aguda, mesmo naquele ponto irritante.
- Eu estava a chama-la para ir tomar o pequeno-almoço. A empregada já o pôs na mesa. – Respondeu-lhe a mãe, com a sua voz nasal, igualmente irritante.
Clare acabou de retocar a sua maquilhagem e arranjar os seus enormes cabelos louros e desceu a escadaria de pedra para a sala de jantar, onde cabiam umas dez pessoas sentadas em volta da mesa.
- Mãe, o pai ainda não voltou? – Clare disse quando viu a mesa cheia de torradas acabadinhas de fazer, fruta, mas ninguém para comer essas delícias.
- O seu pai ainda não voltou de Nice – Respondeu-lhe a mãe, sentando-se à frente dela na mesa e preparando-se para comer.
Clare suspirou. Era muito raro ver o pai. Ele andava sempre em viagens e em reuniões e, quando estava lá em casa, era por pouco tempo pois a sua mãe começava a discutir com ele.
Clare terminou o seu pequeno-almoço composto por uma amostra de torrada de pão integral, não se pode descuidar com o seu peso porque afinal de contas o tamanho seis inglês é difícil de se manter, um copo de sumo de maracujá e cenoura, receitado pela dietista privada dela, e por fim uma papaia. Entrou no seu Audi descapotável e foi a caminho da escola.
O seu Audi era como uma segunda casa para ela. Ela agarrava nele e punha-se a conduzir sem destino, ao som da sua música favorita, o que estivesse na posição número um na América ou na França ou Inglaterra. Conduzir era como um calmante para Clare. Era o melhor que tinha na vida! Isto é, quando não está ocupada demais a ser a senhora popular lá da escola.
Rapidamente acabou o seu oásis pois tinha chegado à escola e já tinha o seu grupo de fiéis seguidoras em seu redor. Estariam lá à espera dela perto de meia hora.
- Clare! – Uma delas disse, era a cópia quase exacta dela, apenas tinha cabelo castanho encaracolado e um ar arrogante.
Cumprimentaram Clare e seguiram para entrar no colégio.
O barulho de uma Harley Davidson Rocker C 2008 azul entrou pelo parque a dentro e estacionou a 50 metros de onde se encontrava Clare, que estava espantada a olhar para quem conduziria aquela mota. Naquela escola eram poucas as pessoas que tinham uma mota, muito menos as que tinha uma daquelas. Era uma mota mesmo muito vistosa, com chamas prateadas e pelo meio uma espécie de seta de madeira com ponta de pedra, daquelas utilizadas no desporto de tiro ao arco antigamente.
Que estranho que era! Mais parecia um símbolo do que propriamente uma pintura na mota.
Entretanto, o condutor tirou o capacete. Tinha cabelo ondulado, dourado. As calças estavam meio desgastadas, como a moda manda, mas tinham aspecto de novas e tinha um casaco de cabedal. Clare perguntara-se quem seria esse rapaz…
Clare conhecia todos os rapazes bonitos da escola, cidade e arredores e nunca tinha visto este. Ele devia ter-se mudado recentemente, ou seja, no dia anterior. Mais cedo que isso e já lhe teriam contado.
- Vamos andando? Já tocou. – Inquiriu Rose, uma rapariga loura, de olhos azuis e com um aspecto de burra que nada tem a ver com o cabelo e olhos. Clare distraiu-se com essa pergunta e perdeu o rapaz de vista. Que pena, pensou. Dirigiram-se para dentro do edifício onde iam ter aulas.
- Sabes as últimas? – Perguntou Rose, claramente para picar Clare sem que esta se tenha apercebido de tão distraída que estava. – O T.G. deixou aquela nojenta da Melanie. Tens o caminho aberto.
T.G., o rapaz mais popular da escola, bonito, forte, atlético, querido, romântico, também conhecido por O SEU EX.
- E o que é que eu tenho a ver com isso? – Clare respondeu, claramente desinteressada. Até porque ela já tinha andado para a frente, há uns minutos atrás mais precisamente.
Passaram pelas salas de cada uma, mesmo ao lado umas das outras, apenas a de Clare ficava ao virar o corredor, o que dava jeito: proporcionava a Clare uns minutos de paz e, mais importante - ficava ao lado dos cacifos. Por entre a confusão, Clare foi para o seu corredor, com o seu andar provocador de nervos nas outras raparigas.
Ao virar a esquina, um aroma doce e amargo, suave e forte. Parecia ser a maçã com canela e ao mesmo tempo à brisa do mar num dia de verão, mas que rapidamente acabou porque esbarrou com alguém ao virar da esquina, de tão intoxicada que estava. Por sorte ninguém viu, pois o corredor tava vazio e de donde ela vinha não dava para ver.
Pelo chão espalharam-se livros, cadernos, malas, lápis, canetas, casacos… até eles os dois foram parar ao meio do chão. Clare estava mesmo para dizer para ver por onde andava até que reparou que tinha chocado com o rapaz da mota.
- Peço desculpa – disse o rapaz com uma voz grossa, masculina. Os seus olhos perfuraram a alma de Clare. Uau, ela nunca viu uns olhos assim… eram mesmo magníficos.
- Eu estava a tentar ir para a sala 68 mas perdi-me pelo caminho. – Ele continuou. Ela não sabia porque notava uma certa familiaridade. Já sabia o que era. O seu irmão! Ele era bastante parecido com ele… Clare ao lembrar-se disso sentiu uma enorme melancolia percorrer-lhe. Ela não via o seu irmão desde… desde que foi deserdado por ter fugido com a empregada! Isso acontecera há uns 5 anos e deixara um grande vazio nela porque ele fora um grande apoio para ela. Quase como um pai.
- Hum, essa sala é ao lado da que eu vou ter aulas, eu levo-te lá – Clare respondeu-lhe um pouco engasgada com o nó que se estaria a formar na garganta.
- Ainda nem me apresentei, sou o E… Caleb – disse o rapaz, um pouco agitado. Clare notára uma tatuagem, do mesmo símbolo que a mota tinha, no braço direito de Caleb quando o esticava para apanhar um dos seus livros. Por esta altura, Caleb já só estava com uma camisola com as mangas arregaçadas.
- Clare. – Disse lhe ela, por esta altura já estavam praticamente a chegar a sala.
- Então até já – E com isso, Clare despediu-se dele. Ao atravessar o corredor, a única coisa que conseguia pensar era nos seus olhos verdes, místicos.

sábado, 5 de janeiro de 2013