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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Uma Flecha Que Voltou... - Capítulo 1: Primeiro Encontro

Um despertador cor-de-rosa choque tocou às 7 da manha. Pelo meio de lençóis lilases, encontrava-se Clare. Também conhecida por “Cobra, Louca, Arrogante, Ruim e Enfadonha” mas, claro, isso só se sabia por trás das costas dela.
- Hurgh, já são 7 horas… - e com isso, Clare mandou uma grande chapada ao despertador que foi disparado ao chão, partindo-se em mil bocados.
De repente, entra um West Highland Terrier branco pela porta, a ladrar, mesmo direitinho à cama.
- Tikky! Sai de cima de mim! Está bem, eu levanto-me.
Bastou Clare dizer isso para a amostra de peluche com caracóis brancos e de coleira vermelha, a que ela chama de cão, saltar da cama e ir disparado pelas escadas a baixo.
Tinha começado mais um dia na vida de Clare.
Clare levantou-se da cama, vestiu a sua roupa favorita: uma minissaia miu miu preta, que deveria ser para criança mas estava prestes a ser usada por uma rapariga de 17 anos; um top com um decote escandaloso do Marks and Spencer e umas botas de salto alto de pele de cobra. Ela tinha de manter o seu estatuto de “miss popular”, como é óbvio. Não podia ir com uma roupa qualquer! Tinha de ser tudo do bom e do melhor, como era a tradição da família. E como tal, Clare dentro de 8 meses estaria a entrar na Universidade de Oxford, não fosse o pai dela um grande empresário de bolsos bem largos.
- Querida! Você já está pronta? O pequeno-almoço já está na mesa. – disse uma voz feminina, mesmo com um sotaque “à tia”, do outro lado da porta do quarto, mas Clare não ouviu. Estava na sua casa de banho privada, enchendo os seus olhos verdes de rimmel, completando o seu quilo de maquilhagem diário.
Quando abriu a porta da casa de banho, esbarrou com uma senhora nos seus 40 anos, cabelos bem louros, encaracolados e curtos. Bela tinha olhos verdes, tal como a sua filha, Clare.
- O que é que estás aqui a fazer mãe? – Inquiriu Clare com a sua voz fina, aguda, mesmo naquele ponto irritante.
- Eu estava a chama-la para ir tomar o pequeno-almoço. A empregada já o pôs na mesa. – Respondeu-lhe a mãe, com a sua voz nasal, igualmente irritante.
Clare acabou de retocar a sua maquilhagem e arranjar os seus enormes cabelos louros e desceu a escadaria de pedra para a sala de jantar, onde cabiam umas dez pessoas sentadas em volta da mesa.
- Mãe, o pai ainda não voltou? – Clare disse quando viu a mesa cheia de torradas acabadinhas de fazer, fruta, mas ninguém para comer essas delícias.
- O seu pai ainda não voltou de Nice – Respondeu-lhe a mãe, sentando-se à frente dela na mesa e preparando-se para comer.
Clare suspirou. Era muito raro ver o pai. Ele andava sempre em viagens e em reuniões e, quando estava lá em casa, era por pouco tempo pois a sua mãe começava a discutir com ele.
Clare terminou o seu pequeno-almoço composto por uma amostra de torrada de pão integral, não se pode descuidar com o seu peso porque afinal de contas o tamanho seis inglês é difícil de se manter, um copo de sumo de maracujá e cenoura, receitado pela dietista privada dela, e por fim uma papaia. Entrou no seu Audi descapotável e foi a caminho da escola.
O seu Audi era como uma segunda casa para ela. Ela agarrava nele e punha-se a conduzir sem destino, ao som da sua música favorita, o que estivesse na posição número um na América ou na França ou Inglaterra. Conduzir era como um calmante para Clare. Era o melhor que tinha na vida! Isto é, quando não está ocupada demais a ser a senhora popular lá da escola.
Rapidamente acabou o seu oásis pois tinha chegado à escola e já tinha o seu grupo de fiéis seguidoras em seu redor. Estariam lá à espera dela perto de meia hora.
- Clare! – Uma delas disse, era a cópia quase exacta dela, apenas tinha cabelo castanho encaracolado e um ar arrogante.
Cumprimentaram Clare e seguiram para entrar no colégio.
O barulho de uma Harley Davidson Rocker C 2008 azul entrou pelo parque a dentro e estacionou a 50 metros de onde se encontrava Clare, que estava espantada a olhar para quem conduziria aquela mota. Naquela escola eram poucas as pessoas que tinham uma mota, muito menos as que tinha uma daquelas. Era uma mota mesmo muito vistosa, com chamas prateadas e pelo meio uma espécie de seta de madeira com ponta de pedra, daquelas utilizadas no desporto de tiro ao arco antigamente.
Que estranho que era! Mais parecia um símbolo do que propriamente uma pintura na mota.
Entretanto, o condutor tirou o capacete. Tinha cabelo ondulado, dourado. As calças estavam meio desgastadas, como a moda manda, mas tinham aspecto de novas e tinha um casaco de cabedal. Clare perguntara-se quem seria esse rapaz…
Clare conhecia todos os rapazes bonitos da escola, cidade e arredores e nunca tinha visto este. Ele devia ter-se mudado recentemente, ou seja, no dia anterior. Mais cedo que isso e já lhe teriam contado.
- Vamos andando? Já tocou. – Inquiriu Rose, uma rapariga loura, de olhos azuis e com um aspecto de burra que nada tem a ver com o cabelo e olhos. Clare distraiu-se com essa pergunta e perdeu o rapaz de vista. Que pena, pensou. Dirigiram-se para dentro do edifício onde iam ter aulas.
- Sabes as últimas? – Perguntou Rose, claramente para picar Clare sem que esta se tenha apercebido de tão distraída que estava. – O T.G. deixou aquela nojenta da Melanie. Tens o caminho aberto.
T.G., o rapaz mais popular da escola, bonito, forte, atlético, querido, romântico, também conhecido por O SEU EX.
- E o que é que eu tenho a ver com isso? – Clare respondeu, claramente desinteressada. Até porque ela já tinha andado para a frente, há uns minutos atrás mais precisamente.
Passaram pelas salas de cada uma, mesmo ao lado umas das outras, apenas a de Clare ficava ao virar o corredor, o que dava jeito: proporcionava a Clare uns minutos de paz e, mais importante - ficava ao lado dos cacifos. Por entre a confusão, Clare foi para o seu corredor, com o seu andar provocador de nervos nas outras raparigas.
Ao virar a esquina, um aroma doce e amargo, suave e forte. Parecia ser a maçã com canela e ao mesmo tempo à brisa do mar num dia de verão, mas que rapidamente acabou porque esbarrou com alguém ao virar da esquina, de tão intoxicada que estava. Por sorte ninguém viu, pois o corredor tava vazio e de donde ela vinha não dava para ver.
Pelo chão espalharam-se livros, cadernos, malas, lápis, canetas, casacos… até eles os dois foram parar ao meio do chão. Clare estava mesmo para dizer para ver por onde andava até que reparou que tinha chocado com o rapaz da mota.
- Peço desculpa – disse o rapaz com uma voz grossa, masculina. Os seus olhos perfuraram a alma de Clare. Uau, ela nunca viu uns olhos assim… eram mesmo magníficos.
- Eu estava a tentar ir para a sala 68 mas perdi-me pelo caminho. – Ele continuou. Ela não sabia porque notava uma certa familiaridade. Já sabia o que era. O seu irmão! Ele era bastante parecido com ele… Clare ao lembrar-se disso sentiu uma enorme melancolia percorrer-lhe. Ela não via o seu irmão desde… desde que foi deserdado por ter fugido com a empregada! Isso acontecera há uns 5 anos e deixara um grande vazio nela porque ele fora um grande apoio para ela. Quase como um pai.
- Hum, essa sala é ao lado da que eu vou ter aulas, eu levo-te lá – Clare respondeu-lhe um pouco engasgada com o nó que se estaria a formar na garganta.
- Ainda nem me apresentei, sou o E… Caleb – disse o rapaz, um pouco agitado. Clare notára uma tatuagem, do mesmo símbolo que a mota tinha, no braço direito de Caleb quando o esticava para apanhar um dos seus livros. Por esta altura, Caleb já só estava com uma camisola com as mangas arregaçadas.
- Clare. – Disse lhe ela, por esta altura já estavam praticamente a chegar a sala.
- Então até já – E com isso, Clare despediu-se dele. Ao atravessar o corredor, a única coisa que conseguia pensar era nos seus olhos verdes, místicos.

sábado, 5 de janeiro de 2013

domingo, 30 de dezembro de 2012

Conto da Passagem de Ano: A Mudança de Ano


                Karl acordou a meio da noite. Eram 4 da manha. Mais uma noite em que teria tido o mesmo pesadelo. Deveria ser dia 31 de Dezembro. Acordara entre tremores e suores, embora a sua pele continuasse à temperatura de um cadáver. Karl temia aquele dia, detestava ter memória fotográfica, odiava quem lhe tinha feito aquilo.
            Tentou dormir, mas assim que fechava os olhos via aqueles olhos azuis transparentes e um sentimento de culpa invadia-o. Deveria ter sido ele a morrer, não a Kate… por um acto de ciúmes, ela saiu disparada pela porta. Saiu disparada da vida dele… agora era tarde demais, milhares de anos tarde demais. A sua alma imortal, para sempre, iria sentir a sua falta…
            Karl não aguentava mais, levantou-se, entrou na sala e deitou-se a ver Cardiff Bay através de uma parede de vidro que tinha no seu apartamento. As luzes nocturnas da baía ainda fascinavam este homem com mais de milhares de anos de idade. Como o mundo cresceu e evoluiu. Desde a vinda da raça un-dead que ele foi escolhido como guardião, agente, olhador. E, ao longo dos tempos, viu esta cidade nascer, evoluir, crescer…
            Não conseguindo dormir, saiu porta fora e foi dar um passeio pela cidade. Dentro de uma hora a cidade estaria a acordar para mais um dia de trabalho para alguns, dia de descanso para outros e dia de estar com a família para parte. Descia ele pela artéria principal da cidade e a todas as esquinas, esperava ver a sua mulher. Lembrava-se das promessas de construir uma aldeia com ele. Tantas vezes desejou apenas ter uma família, para quê imortalidade se não se tem com quem viver? Apenas queria ter vivido com ela anos suficientes para ter um filho e depois morreria descansado. Mas não, tinham de lhe ter raptado a mulher e pôr-lhe uma maldição em cima. Se não fosse Apolo, onde estaria ele agora? Ele deu-lhe imortalidade, poderes e transformou-o no guardião. E juntos, ele e a filha de Apolo, foram mantendo equilibrada a balança dos un-dead e dos humanos.
            Entrou num pub para almoçar algum tempo mais tarde. Enquanto almoçava, uma rapariga aproximou-se dele. Perguntou-lhe se estava bem. Neste mundo moderno ainda existia quem se preocupasse com completos estranhos, sem haver interesses. Incrível! Dizendo-lhe que sim, terminou o seu almoço e seguiu para casa onde foi tentar descansar um pouco mais.

            - Tens a certeza que não estamos a incomoda-lo?- Eddie perguntou à sua amada Haley.
            - Não te preocupes, o Karl precisa disto, eu conheço-o bem.- Respondeu-lhe Haley, uma rapariga que aparentava ter 20 anos mas que na realidade tinha bem perto de uns 20 milhares de anos.
            Karl acordou repentinamente com um bater a porta. Sabia perfeitamente quem era, aquele toque era inconfundível. Já eram umas dez da noite, vestiu uma t-shirt e foi abrir a porta. Era a Haley e o Eddie, quem considerava serem os filhos dele, o que não era verdade. Haley era a filha de Apolo e Eddie um metamorfo que Karl salvou. Eles tinham ido visita-lo, a única coisa que lhe restava desde que Kate partira. Lembrara-se que tinha combinado com eles ir ver o fogo-de-artifício à baía. Vestiu uma camisola de lã e saíram.
            Na baía, estava tudo pronto para a contagem decrescente. Havia bandas a tocar música pop e pessoas animadamente a conversarem, claramente ansiosas para entrar no novo ano.
            - Não sei se deva acreditar na resposta que me deste de manha. Estás bem?- Era a mesma rapariga do pub. O coração de Karl palpitou, uma sensação quente invadiu-lhe o corpo.
            - Sim, estou melhor. – Respondeu-lhe. Ela sorriu-lhe e começou a afastar-se.
            - Espera- Ela olhou para trás e Karl continuou – Queres passar connosco a entrada no novo ano?
            Ela sorriu-lhe e acenou afirmativamente. Meia hora mais tarde fizeram a contagem decrescente e o espectáculo começou.
            - Feliz ano novo a todos!- disse Karl.

Este conto foi escrito pela colaboradora Nânci Santos. Espero que tenham gostado!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Conto de Natal 2: Matilde


Todos os anos a Matilde sentava-se no chão e desembrulhava os presentes que os seus familiares lhe davam, rodeada de amor, carinho e felicidade. Ela adorava escrever a carta com os brinquedos que queria e pô-la num marco de correio para ser enviada para o Pai Natal.
Naquele ano, não foi diferente. Era véspera de Natal, e a Matilde estava distraída a brincar com umas bonecas, ansiosa para que chegasse a noite, quando a sua mãe entrou no seu quarto e lhe pediu para que lhe mostrasse os brinquedos que ela já não usava.
A Matilde não percebeu o porquê mas começou a dividir os seus brinquedos em dois conjuntos: os que ela gostava, e os que não gostava. Depois olhou para a mãe e ficou a observá-la a colocar os brinquedos que ela já não queria para dentro de uma caixa de plástico.
- O que estás a fazer? – Quis Matilde saber.
- Vamos arrumar os brinquedos que tu já não usas e dá-los a outros meninos que os vão utilizar.
Matilde correu atrás da sua mãe e impediu-a de sair do seu quarto. Gritou:
- Não quero dar os meus brinquedos a nenhuma criança porque eles são meus!
A mãe de Matilde sorriu e pousou a caixa de plástico no chão. Ajoelhou-se e agarrou numa das mãos de Matilde.
- Eu sei que os brinquedos são teus, Matilde, mas tu já não os usas não é verdade?
A pequena Matilde abanou a cabeça e disse:
- Eu uso-os. Não quero que os dês a ninguém!
A mãe suspirou e continuou:
- E se tu viesses comigo? Conheces os meninos a quem eu ia dar os brinquedos, e depois decides se queres ficar com eles ou não. Concordas?
A Matilde concordou. Vestiu um casaco bem quentinho e caminhou, ao lado da mãe, até uma grande casa com uma coroa feita de ramos verdes e laços vermelhos, na porta.
Quando entraram, a Matilde reparou na quantidade de meninos e meninas que enfeitavam várias pequenas árvores de Natal. Por momentos a Matilde sentiu-se envergonhada porque não conhecia ninguém, mas avançou e ajudou as crianças a colocarem as bolas, fitas e anjinhos nas árvores.
Depois de se divertirem com os enfeites foi distribuído, a cada pessoa, uma caneca com chocolate quente. Matilde sentou-se ao lado de um rapaz, ganhou coragem e perguntou-lhe:
- Porque é que estão aqui tantos meninos?
A criança olhou para ela e sorriu. Contou-lhe que muitas daquelas crianças não tinham pais porque estavam no céu, ou porque não queriam os filhos. A Matilde não gostou do que ouviu e correu para junto da mãe. Sussurrou-lhe ao ouvido o que o rapaz lhe tinha contado e disse que tinha muita pena deles.
A mãe de Matilde explicou-lhe que não deveria ter pena, porque aquelas crianças estavam felizes porque tinham um lar, e contou-lhe que eles não iam ter presentes de Natal porque não tinham muito dinheiro.
A Matilde ficou a pensar nas palavras da mãe, e lembrou-se que não havia embrulhos em baixo das árvores de Natal então tomou uma decisão, porque todas as crianças tinham que receber brinquedos no dia de Natal.
Arrastou a caixa com os brinquedos, que estava perto da cozinha, até à grande sala e gritou: brinquedos para todos! As crianças sorriram e correram para a grande caixa de plástico que Matilde lhes estava a entregar.
Quando regressou a casa, a Matilde ainda estava a pensar nas crianças que viviam sem os pais mas sabia que elas, naquele momento, estavam mais felizes, porque tinham os seus próprios brinquedos.

Continuação de boas festas...
Nota: Este conto foi escrito pela colaboradora Patrícia Ferreira, mas ela não teve tempo de o vir postar. Por isso postei eu.