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sábado, 5 de janeiro de 2013

domingo, 30 de dezembro de 2012

Conto da Passagem de Ano: A Mudança de Ano


                Karl acordou a meio da noite. Eram 4 da manha. Mais uma noite em que teria tido o mesmo pesadelo. Deveria ser dia 31 de Dezembro. Acordara entre tremores e suores, embora a sua pele continuasse à temperatura de um cadáver. Karl temia aquele dia, detestava ter memória fotográfica, odiava quem lhe tinha feito aquilo.
            Tentou dormir, mas assim que fechava os olhos via aqueles olhos azuis transparentes e um sentimento de culpa invadia-o. Deveria ter sido ele a morrer, não a Kate… por um acto de ciúmes, ela saiu disparada pela porta. Saiu disparada da vida dele… agora era tarde demais, milhares de anos tarde demais. A sua alma imortal, para sempre, iria sentir a sua falta…
            Karl não aguentava mais, levantou-se, entrou na sala e deitou-se a ver Cardiff Bay através de uma parede de vidro que tinha no seu apartamento. As luzes nocturnas da baía ainda fascinavam este homem com mais de milhares de anos de idade. Como o mundo cresceu e evoluiu. Desde a vinda da raça un-dead que ele foi escolhido como guardião, agente, olhador. E, ao longo dos tempos, viu esta cidade nascer, evoluir, crescer…
            Não conseguindo dormir, saiu porta fora e foi dar um passeio pela cidade. Dentro de uma hora a cidade estaria a acordar para mais um dia de trabalho para alguns, dia de descanso para outros e dia de estar com a família para parte. Descia ele pela artéria principal da cidade e a todas as esquinas, esperava ver a sua mulher. Lembrava-se das promessas de construir uma aldeia com ele. Tantas vezes desejou apenas ter uma família, para quê imortalidade se não se tem com quem viver? Apenas queria ter vivido com ela anos suficientes para ter um filho e depois morreria descansado. Mas não, tinham de lhe ter raptado a mulher e pôr-lhe uma maldição em cima. Se não fosse Apolo, onde estaria ele agora? Ele deu-lhe imortalidade, poderes e transformou-o no guardião. E juntos, ele e a filha de Apolo, foram mantendo equilibrada a balança dos un-dead e dos humanos.
            Entrou num pub para almoçar algum tempo mais tarde. Enquanto almoçava, uma rapariga aproximou-se dele. Perguntou-lhe se estava bem. Neste mundo moderno ainda existia quem se preocupasse com completos estranhos, sem haver interesses. Incrível! Dizendo-lhe que sim, terminou o seu almoço e seguiu para casa onde foi tentar descansar um pouco mais.

            - Tens a certeza que não estamos a incomoda-lo?- Eddie perguntou à sua amada Haley.
            - Não te preocupes, o Karl precisa disto, eu conheço-o bem.- Respondeu-lhe Haley, uma rapariga que aparentava ter 20 anos mas que na realidade tinha bem perto de uns 20 milhares de anos.
            Karl acordou repentinamente com um bater a porta. Sabia perfeitamente quem era, aquele toque era inconfundível. Já eram umas dez da noite, vestiu uma t-shirt e foi abrir a porta. Era a Haley e o Eddie, quem considerava serem os filhos dele, o que não era verdade. Haley era a filha de Apolo e Eddie um metamorfo que Karl salvou. Eles tinham ido visita-lo, a única coisa que lhe restava desde que Kate partira. Lembrara-se que tinha combinado com eles ir ver o fogo-de-artifício à baía. Vestiu uma camisola de lã e saíram.
            Na baía, estava tudo pronto para a contagem decrescente. Havia bandas a tocar música pop e pessoas animadamente a conversarem, claramente ansiosas para entrar no novo ano.
            - Não sei se deva acreditar na resposta que me deste de manha. Estás bem?- Era a mesma rapariga do pub. O coração de Karl palpitou, uma sensação quente invadiu-lhe o corpo.
            - Sim, estou melhor. – Respondeu-lhe. Ela sorriu-lhe e começou a afastar-se.
            - Espera- Ela olhou para trás e Karl continuou – Queres passar connosco a entrada no novo ano?
            Ela sorriu-lhe e acenou afirmativamente. Meia hora mais tarde fizeram a contagem decrescente e o espectáculo começou.
            - Feliz ano novo a todos!- disse Karl.

Este conto foi escrito pela colaboradora Nânci Santos. Espero que tenham gostado!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Conto de Natal 2: Matilde


Todos os anos a Matilde sentava-se no chão e desembrulhava os presentes que os seus familiares lhe davam, rodeada de amor, carinho e felicidade. Ela adorava escrever a carta com os brinquedos que queria e pô-la num marco de correio para ser enviada para o Pai Natal.
Naquele ano, não foi diferente. Era véspera de Natal, e a Matilde estava distraída a brincar com umas bonecas, ansiosa para que chegasse a noite, quando a sua mãe entrou no seu quarto e lhe pediu para que lhe mostrasse os brinquedos que ela já não usava.
A Matilde não percebeu o porquê mas começou a dividir os seus brinquedos em dois conjuntos: os que ela gostava, e os que não gostava. Depois olhou para a mãe e ficou a observá-la a colocar os brinquedos que ela já não queria para dentro de uma caixa de plástico.
- O que estás a fazer? – Quis Matilde saber.
- Vamos arrumar os brinquedos que tu já não usas e dá-los a outros meninos que os vão utilizar.
Matilde correu atrás da sua mãe e impediu-a de sair do seu quarto. Gritou:
- Não quero dar os meus brinquedos a nenhuma criança porque eles são meus!
A mãe de Matilde sorriu e pousou a caixa de plástico no chão. Ajoelhou-se e agarrou numa das mãos de Matilde.
- Eu sei que os brinquedos são teus, Matilde, mas tu já não os usas não é verdade?
A pequena Matilde abanou a cabeça e disse:
- Eu uso-os. Não quero que os dês a ninguém!
A mãe suspirou e continuou:
- E se tu viesses comigo? Conheces os meninos a quem eu ia dar os brinquedos, e depois decides se queres ficar com eles ou não. Concordas?
A Matilde concordou. Vestiu um casaco bem quentinho e caminhou, ao lado da mãe, até uma grande casa com uma coroa feita de ramos verdes e laços vermelhos, na porta.
Quando entraram, a Matilde reparou na quantidade de meninos e meninas que enfeitavam várias pequenas árvores de Natal. Por momentos a Matilde sentiu-se envergonhada porque não conhecia ninguém, mas avançou e ajudou as crianças a colocarem as bolas, fitas e anjinhos nas árvores.
Depois de se divertirem com os enfeites foi distribuído, a cada pessoa, uma caneca com chocolate quente. Matilde sentou-se ao lado de um rapaz, ganhou coragem e perguntou-lhe:
- Porque é que estão aqui tantos meninos?
A criança olhou para ela e sorriu. Contou-lhe que muitas daquelas crianças não tinham pais porque estavam no céu, ou porque não queriam os filhos. A Matilde não gostou do que ouviu e correu para junto da mãe. Sussurrou-lhe ao ouvido o que o rapaz lhe tinha contado e disse que tinha muita pena deles.
A mãe de Matilde explicou-lhe que não deveria ter pena, porque aquelas crianças estavam felizes porque tinham um lar, e contou-lhe que eles não iam ter presentes de Natal porque não tinham muito dinheiro.
A Matilde ficou a pensar nas palavras da mãe, e lembrou-se que não havia embrulhos em baixo das árvores de Natal então tomou uma decisão, porque todas as crianças tinham que receber brinquedos no dia de Natal.
Arrastou a caixa com os brinquedos, que estava perto da cozinha, até à grande sala e gritou: brinquedos para todos! As crianças sorriram e correram para a grande caixa de plástico que Matilde lhes estava a entregar.
Quando regressou a casa, a Matilde ainda estava a pensar nas crianças que viviam sem os pais mas sabia que elas, naquele momento, estavam mais felizes, porque tinham os seus próprios brinquedos.

Continuação de boas festas...
Nota: Este conto foi escrito pela colaboradora Patrícia Ferreira, mas ela não teve tempo de o vir postar. Por isso postei eu.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012